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Grupo do Lar Escola se adapta à Apae

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Dezoito do total de 42 internos transferidos do Lar Escola Rafael Maurício no último dia 13 estão vivendo na Casa Lar da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru. Eles demonstram estar bem adaptados ao novo lar, que fica no Parque União.

A direção do abrigo masculino, que abriga 18 adolescentes e jovens, recebeu ontem o Jornal da Cidade para mostrar as dependências e estrutura, assim como o tipo de atendimento que está sendo oferecido aos assistidos.

Em clima familiar, a equipe de reportagem, ao chegar, flagrou momentos de diversão dos meninos em um pebolim, com direito a música. Em seguida, percorreu as instalações da entidade, que tem seis quartos, quatro banheiros, cozinha, sala de refeição, lavanderia, quintal, área de lazer, entre outras dependências. "Aqui é um verdadeiro lar, que representa uma família", sintetizou a presidente da Apae em Bauru, Olga Bicudo Tognozzi.

A visita foi acompanhada pela titular da Diretoria Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (Drads), Maria Moreno Perroni, que garantiu, junto à Olga Bicudo, que as mais diversificadas atividades estão sendo oferecidas aos internos, inclusive cursos de capacitação profissional.

"Eles participam de cursos profissionalizantes, atividades escolares, passeios e atividades nos finais de semana. Há os momentos de recreação e também as obrigações", apontaram. "O que vejo é que eles estão muito felizes e não querem sair daqui", revelou Olga.

Os 18 internos foram transferidos para a Casa Lar da Apae no último dia 13. Durante a retirada dos assistidos, muitos funcionários do Lar Escola Rafael Maurício se mostraram indignados. Posteriormente à remoção, parte deles fizeram até passeata pedindo a volta do grupo.


Sem resistência


Contudo, segundo a presidente da Apae em Bauru, nestas duas primeiras semanas de estadia na nova moradia não houve problemas de adaptação e nem resistência por parte dos internos transferidos.

"A Apae não teve necessidade de fazer adaptação desse grupo que mudou-se para cá, porque estes jovens já participavam do nosso trabalho anteriormente. A maioria deles já passava o dia na Apae", esclareceu Olga Bicudo, que assegurou que todos os assistidos estão sendo acolhidos na área de educação e saúde.

"Todo o atendimento necessário está sendo fornecido a eles. E tenho certeza que o restante dos internos que foram para a unidade da Apae em Dois Córregos também estão sendo contemplados com o mesmo atendimento, que segue o mesmo padrão. Estamos muito felizes por prestar mais este serviço para a comunidade deficiente e para o Estado", enfatizou.

Durante a visita, Maria Perroni formalizou convênio entre a Apae e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds). Por meio dele, serão repassadas verbas mensais para garantir o atendimento aos ex-internos do Rafael Maurício.

Conforme Perroni declarou anteriormente em entrevista ao JC, "mensalmente, serão repassados R$ 1,2 mil por interno à Apae, por meio de convênio com a secretaria", informou. Ainda de acordo com ela, as casas da Apae foram alugadas e adaptadas pelo Estado especialmente para receber os internos do Lar. Ao todo, foram investidos R$ 80 mil somente para equipar os imóveis, sem contar os recursos para a contratação de equipe de funcionários e manutenção dos atendidos.


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Diretor diz que ?Lar? está de portas abertas


O diretor geral do Lar Escola Rafael Maurício, Alexandre Martins Perpétuo, garantiu que a entidade está apta a receber novos internos e que já conseguiu várias parcerias para reerguer a entidade.

"Montamos comissão para tomar conta dos processos, outra comissão para cuidar da parte de contabilidade e auditoria, assim como de eventos. Estamos empenhados em arrecadar recursos através de rifas e kits. A comunidade também ajudará e fará eventos com objetivo de arrecadar verbas para a entidade", informou.

Cerca de 43 funcionários permanecem na instituição, mesmo após a remoção da maioria dos internos.

"Ainda não foi tomada nenhuma decisão em relação a demissões. Temos dois funcionários que tiveram o período de experiência vencido e não foram contratados, mas até o dia 3 próximo não temos previsão de rescisão de contratos de trabalho", afirmou Alexandre, que ainda alegou que fará reuniões com diretorias anteriores para que informações sobre administrações passadas possam ser discutidas. "O Rafael Maurício está pronto para receber novos internos", completou.

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?Estou gostando daqui?, afirma interno


O clima na casa, ontem pela manhã, era de total entrosamento entre os internos e os funcionários. A reportagem teve a oportunidade de conversar com dois deles. Elvis Alan de Souza, 18 anos, aprovou a transferência para a Apae.

"Prefiro aqui do que lá (Rafael Maurício). Aqui tem cama arrumada, os funcionários são bonzinhos. Ajudo a turma aqui a lavar louça, arrumar a cama, todos compartilham as tarefas", declarou.

Wladimir Elias, 27 anos, também só teceu elogios. "Gostei muito daqui. Aqui é clima de casa. Tem cozinha, quarto", comentou.

A psicóloga da Apae Juliana Rodrigues Sigolo comentou que os funcionários já tinham contato com grande parte dos internos, o que facilitou a recepção e relacionamento com eles.

"Eu já trabalhava com a maioria deles na Apae, tanto que lá nós já vínhamos conversando há algum tempo sobre a possibilidade deles se mudarem. Eles ficaram bem encantados quando vieram para cá, pois viram que era uma casa de verdade e não uma instituição. Já conheciam a equipe e não houve resistência de nenhum deles. Eles têm o seu quarto, têm vizinhos. Estão submetidos agora a uma rotina de lar mesmo", salientou.

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