Paris - O avião do voo 447 da Air France bateu no oceano a uma velocidade de cerca de 200 km/h, segundo relatório preliminar divulgado ontem pelo BEA - órgão do governo francês responsável pela investigação do acidente. A tragédia ocorreu durante o trajeto Rio-Paris e causou a morte dos 228 ocupantes.
Os pilotos tiveram dificuldades com os controles da aeronave antes de o avião sofrer uma queda de 3 minutos e meio até colidir no oceano Atlântico com o nariz voltado para cima.
Os últimos três minutos e meio do voo AF-447 no Oceano Atlântico foram marcados pelo desconhecimento. Os passageiros não tinham noção de que o avião rumava para a destruição. Essa revelação foi feita por Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA), da França.
O acidente de 2009 no voo Rio de Janeiro-Paris começou com um aviso de pane duas horas e meia após a decolagem e nove minutos após o capitão ter saído do cockpit para um intervalo de descanso de rotina (veja quadro).
O Airbus A330 subiu para 38 mil pés e depois iniciou uma queda dramática de três minutos e meio, oscilando da esquerda para a direita, e o mais jovem dos três pilotos entregou o comando ao segundo piloto mais experiente um minuto antes do impacto.
A sequência de eventos foi descrita em uma nota do BEA, organismo francês responsável pela investigação de acidentes, que, no entanto, disse ainda ser precipitado apontar as causas da queda antes de um relatório mais completo previsto para os próximos meses. "Até o momento estas são apenas observações, não uma compreensão do evento", afirmou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, a repórteres.
O capitão retornou após "várias tentativas" de chamá-lo de volta ao cockpit, mas ele não estava no controle nos momentos finais, de acordo com as informações obtidas das caixas-pretas.
Quando o piloto de 58 anos voltou, pouco mais de um minuto após o início da emergência, a aeronave caía a 10 mil pés por minuto com o nariz elevado em 15 graus e em um ângulo inclinado demais em relação à corrente de ar para permitir uma nova ascensão.
O BEA disse que a leitura das caixas-pretas retiradas do fundo do oceano Atlântico no início do mês dão a entender que a tripulação não conseguiu determinar quão rápido o avião voava.
Isto ecoa os achados anteriores, que indicam que as sondas Pitot, ou sensores de velocidade do avião, podem ter congelado.
A Air France afirmou, em comunicado separado, que o problema inicial teria sido uma falha nas sondas de velocidade no avião da Airbus, segundo o relatório do BEA. "Parece que a tripulação da cabine de comando estava monitorando as mudanças nas condições climáticas e então alterou a rota de voo, que o problema inicial foi a falha nas sondas de velocidade que conduziram a uma desconexão do piloto automático e a perda dos sistemas de proteção de pilotagem associados, e que o avião paralisou a uma alta altitude", disse a Air France ontem.