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Desindustrialização: o que é e como funciona?

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 3 min

Focando a realidade da Indústria de Transformação, cuja data comemorativa foi no último dia 25 de maio, procuraremos analisar o que está ocorrendo com a mesma, cujo impacto pode ser trazido para a nossa realidade local e regional. Indústria de transformação é basicamente a in-dústria que conhecemos, ou seja, parte-se de uma matéria-prima primária e produz-se bens e produtos que consumimos no nosso dia a dia.

A I.T. (indústria de transformação) já representou mais de 20% do nosso PIB, entretanto, em 2010 representou 15,8% do nosso PIB. Na Coreia, a I.T. representou 28% em 2010 e na China 34%. Esta queda, que se acentua drasticamente nos últimos meses, é, basicamente, devido ao processo de importação de produtos da China e outros países, estimulado pela grande oferta de produtos existentes e um câmbio-relação do real comparado a outras moedas, como o dolar, euro etc extremamente favorável à importação e em detrimento à exportação de produtos brasileiros. Isto porque o nosso real está excessivamente valorizado.

Relacionando o comércio internacional ? Importação VS. Exportação com a geração de empregos, calcula-se que em 2010 perdemos 112.000 empregos. Somente no 1º trimestre de 2011, perdemos 120.000 empregos, ou seja, estamos contribuindo para a geração de empregos nos outros países, principalmente na China.

Piorando a análise, as importações estão concentradas nos produtos de alta tecnologia e média tecnologia. Somos competitivos nos produtos de baixa tecnologia. Pela ordem, a grande perda no balanço comercial ocorre com a China, seguida dos EUA e União Europeia.

Não somos contra a importação de bens e produtos. A inserção do Brasil no comércio internacional é salutar e desejado. Estimulado o processo de importação e exportação, melhoraremos a qualidade de nossos produtos, gestão, qualificação dos trabalhadores, procedimentos e rotinas de trabalho em geral etc. Todavia, não é isto que está ocorrendo.

Devido à falta de isonomia competitiva, ou seja, por não possuirmos as mesmas condições de competitividade, abrimos mão da fabricação interna de produtos para privilegiar a importação dos mesmos, em condições de preços fa-voráveis. Este processo de estímulo à importação fortalece o combate da inflação. Neste sentido ele é bom. Entretanto, estamos desmontando uma estrutura industrial que levou décadas para ser construída e modernizada. Esta estrutura existente, nas atuais condições de câmbio e outros fatores estruturais, não consegue competir com os produtos chineses, americanos etc... A indústria de transformação é responsável por empregos de qualidade em termos de salários e qualificação profissional. Investe em pesquisa e novas tecnologias. É sinônimo de desenvolvimento tecnológico. Sem esta indústria, seremos uma grande fazenda produtora de alimentos e produtores de metais e outros commodities.

Não podemos e não devemos abrir mão da indústria de transformação. Políticas com relação ao câmbio e apoio à competitividade industrial deverão ser implementadas rapidamente a fim de cessar este processo de desindustrialização que está ocorrendo no Brasil, São Paulo e na nossa região. Aqui, várias indústrias importam linhas inteiras de produtos chineses a fim de competirem no mercado interno. Até quando? Vamos trabalhar para melhorar a nossa com-petitividade no comércio internacional?

O autor, Ricardo M. Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform

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