O escritor bauruense Richard Simonetti enfrenta, em seu quinquagésimo livro, o desafio de um tema pouco abordado na literatura espírita e a sua volta ao romance. Em "O Plano B", que será lançado hoje, às 20h, na Jalovi do Altos, em Bauru, Simonetti trata do desvio de trajetória e um plano alternativo para validar a existência.
O escritor comenta que, a cada reencarnação, do ponto de vista da doutrina espírita, o espírito tem um roteiro de vida pré-estabelecido, com definição de quem serão seus pais, com quem se casará e sua profissão, entre outras situações da vida. No entanto, esse planejamento objetivo é interrompido e o sujeito se desvia da meta após a reencarnação. Simonetti enfatiza em seu romance a possibilidade que a pessoa tem de uma alternativa, que está definida no título do livro: "O Plano B".
"A carne é uma armadura pesada e que inibi nossas percepções. A visão que a gente tem aqui na Terra do que é a vida é muito limitada em relação à vida verdadeira, que está no plano espiritual", define. No romance, Simonetti elabora que o sujeito em desvio pode seguir em outra alternativa e que, se ele cumprir o roteiro, não perdeu sua existência. "O quinquagésimo livro queria que fosse bem significativo e um tema que não vai encontrar em outros livros espíritas", ressalta.
Provocado, o escritor bauruense, de 75 anos, comenta que não entrou em desvios. "Não me vejo em um ?Plano B?", define. Ele detalha que sua iniciação espírita veio ainda na fase de garoto, criado em uma família espírita, o que garantiu sua conscientização para aquilo que é importante. "Dentro da linha que eu desenvolvi na minha vida, não sinto que tenha me afastado e tenha entrado para um plano alternativo", ressalta.
Afinal, o que então veio fazer Richard Simonetti na sua existência atual? Ele entende que o fato de já ter escrito 50 livros, que venderam 2, 2 milhões de exemplares, é seu compromisso ao reencarnar.
O escritor diz que voltou com o compromisso de "trocar a doutrina em miúdos". Simonetti esclarece que a literatura elaborada por Allan Kardec, a doutrina espírita, não é simples para o homem comum. Ele contextualiza a obra de Kardec, escrita no século XIX, em francês, em uma Paris considerada a "Cidade Luz", capital intelectual do mundo ocidental.
"Embora não seja um livro difícil, para o homem comum a literatura de Kardec é difícil", reafirma o escritor referindo-se ao "Livro dos Espíritos", obra fundamental da doutrina espírita.
Em 1970, Simonetti, com 35 anos, lançou seu primeiro livro. Daí impulsionou sua trajetória de escritor com livros para esclarecer, do ponto de vista do espiritismo, temas, no mínimo, polêmicos para o entendimento do homem comum.
Na biblioteca escrita por Richard Simonetti há publicações sobre a vida de Jesus Cristo, sobre Chico Xavier, comentário sobre o "Livro dos Espíritos" e várias publicações dedicadas à história.
Simonetti se considera um autor que traduz a doutrina espírita. Sua obra mais procurada é o livro "Quem tem medo da morte?", em que aprofunda o tema da morte, uma das facetas da vida que mais intriga o ser humano. Exatamente pelo apelo, Simonetti se debruçou no tema morte com base na doutrina espírita e de um jeito muito descontraído. "A morte é apenas um retorno à nossa pátria verdadeira, que é o mundo espiritual", define, sem firulas. "Quem tem medo da morte?" já vendeu cerca de 250 mil exemplares e já foi traduzido para o italiano, francês e para o inglês. "Para o espanhol, estavam para traduzir e publicar", projeta.
? Serviço
O lançamento de "O Plano B", o 50.º livro escrito por Richard Simonetti, será lançado hoje, às 20h, na Jalovi do Altos da Cidade. A livraria fica na rua Antonio Alves, 22-75. A promoção é da Editora Ceac e da Jalovi.
Terceiro romance
Apesar de já ter escrito 50 livros, Simonetti só possuía dois romances que são "O Vaso de Porcelana" e "Mudança de Rumo". Em "O Plano B", ele incursiona pela complicada seara do romance. O escritor bauruense explica que esse gênero literário exige uma entrega quase que absoluta. "É o tipo de literatura mais difícil que tem. Porque você tem que viver o romance", define.
Simonetti frisa que o romancista só pensa na obra. Seu primeiro romance, "O Vaso de Porcelana", demorou quase quatro anos para ser finalizado. Ele relembra que trabalhava no banco, escrevia um trecho e parava. A retomada, tempos depois, exigia a leitura do que já havia sido elaborado.
Para marcar seu quinquagésimo livro, Simonetti resolveu enfrentar novamente a escrita de um romance e abordar um tema que não se encontra facilmente na literatura espírita. Simonetti acredita que o gênero romance tem maior receptividade do público. "É o que vende mais."
O autor define "O Plano B" como significativo para a marca de 50 livros lançados. Simonetti explica que os direitos autorais de seus livros são doados, sendo que as cerca de 30 últimas publicações foram para as obras do Centro Espírita Amor e Caridade, seguindo a tradição entre os autores espíritas.