Tegucigalpa - A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou ontem resolução que reintegra Honduras ao órgão, dois anos após sua suspensão pelo golpe que derrubou e expulsou do país o presidente Manuel Zelaya.
A resolução, que o Brasil copatrocinou, foi elaborada após o acordo de Cartagena, que anistiou Zelaya e permitiu sua volta a Honduras, mas não abordou a punição dos golpistas.
Essa ausência de exame das consequências legais da derrubada de um presidente por militares na América Latina continua a causar polêmica, e a sessão na OEA ontem teve perturbações.
A reunião foi atrasada em mais de duas horas. Segundo diplomatas, a demora se deveu a uma tentativa de última hora da Venezuela de mencionar algum tipo de punição na resolução, o que provocou reuniões emergenciais a portas fechadas.
O objetivo de Caracas era conseguir, com a menção, o apoio do Equador, único país-membro que se opôs à reintegração de Honduras nas condições atuais.
Foi em vão. O Equador não cedeu e impediu que a resolução fosse acatada por aclamação, como queria a OEA.
Foi preciso uma votação, na qual Quito ficou solitário na oposição. A Venezuela, que juntamente com a Colômbia mediou o acordo de Cartagena, votou a favor, ainda que "com ressalvas".
Honduras, representada pela vice-presidente Maria Antonieta Guillén, celebrou a reintegração: "É um reconhecimento de que colocamos em prática a Carta Democrática Interamericana".
Guillén é parte da gestão Porfirio Lobo, que chegou ao poder após eleição organizada pelo governo golpista.