Com mais 87 casos de dengue confirmados ontem, Bauru inicia junho com 3.922 registros contabilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Do total de casos até ontem, 3.916 ocorreram em Bauru e somente seis foram importados. No dia 2, a SMS já havia informado 67 casos de dengue autóctones, chegando a 3.787, sendo 3.781 autóctones e seis de fora de Bauru.
Em 2010 Bauru registrou 648 casos de dengue. Passados quatro meses e meio deste ano, o número de ocorrências da doença já era quase cinco vezes maior do que no ano passado. Agora, superou em seis vezes 2010, tomando-se apenas os casos ocorridos na cidade até ontem.
Há exatos 20 dias, o secretário municipal de Saúde Fernando Monti alertava para um agravante climático que era a chegada do frio, com o inverno começando dia 21 deste mês, portanto serão quase 40 dias de condições climáticas favoráveis à prolifereção do aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.
Naquela oportunidade, Monti apontou ao JC para o risco de o combate relaxar e a epidemia aumentar: "Os números da doença podem diminuir e as pessoas adquirirem uma falsa sensação de segurança. Com isso, tendem a ficar menos atentas à prevenção. Essa desatenção não pode ocorrer de maneira alguma".
No dia que o secretário fez essa avaliação, 18 de maio último, confirmou-se 73 casos que elevaram a epidemia a 3.040 casos, com 3.034 autóctones e os mesmos seis importadas.
Mortes
No ano, a cidade contabiliza três mortes por dengue hemorrágica. A terceira vítima da forma mais agressiva em 2011 foi o garoto Marcos Kazui Soga, de 4 anos, morador da quadra 5 da rua Edilson Alves de Carvalho, na Vila Celina. Dos sintomas à morte de Marcos passaram-se apenas cinco dias.
A dengue continuou avançando e no dia 24 último a contabilidade de casos era 3.458 autóctones e seis importados. Naquele momento, Monti e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sentaram para avaliar a possibilidade de decretação de estado de exceção diante da epidemia. Monti explicou que a hipótese foi descartada.
"O prefeito não se convenceu que havia elementos para decretação de emergência, porque todas as medidas que precisamos adotar para combater a dengue estão sendo feitas. Não existe nada que (o Estado) de emergência facilitaria", detalhou o secretário de Saúde.
Monti admitiu que o município tinha dificuldades para controlar a epidemia.
Antídoto
Combater a proliferação do mosquito aedes aegypti é simples tecnicamente, porém exige modificação nos hábitos das pessoas, o que na prática não se vê. Bastaria manter quintais limpos, descartar de forma adequada garrafas vazias, pneus velhos e recipientes que acumulem água, manter caixas d?água devidamente tampadas e cobrir piscinas vazias.
Hoje, as equipes de agentes de saneamento, da Divisão de Vigilância Ambiental, continuarão o trabalho de combate à dengue no Núcleo Mary Dota e Vila Cardia, onde atuam desde a última semana. A ação mantém a visita aos imóveis, bem como a aplicação de inseticida contra o mosquito de forma individual, onde prestam esclarecimentos sobre a necessidade do acondicionamento adequado e descarte de recipientes (possíveis criadouros do mosquito transmissor da doença).