Rio - O protesto que centenas de bombeiros fazem nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) já alcançou o primeiro resultado. Deputados decidiram criar uma frente parlamentar em defesa da categoria e prometem trancar a pauta se não forem soltos os 439 bombeiros presos após a invasão do quartel central, na última sexta.
A situação dos militares será discutida em uma reunião marcada para a tarde de ontem, no gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL). "Estamos criando uma frente parlamentar em defesa do Corpo de Bombeiros. Vamos brecar a pauta da Assembleia a semana inteira, enquanto os bombeiros não forem soltos", disse Freixo.
Foram convidados para participar da reunião representantes da categoria, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e da Defensoria Pública.
Um grupo de bombeiros passou a madrugada desta segunda acampado em frente à Alerj em mais um ato de protesto. Há cerca de um mês os bombeiros estão em campanha salarial. Eles reivindicam um aumento de R$ 950,00 para R$ 2 mil, além de melhorias em suas condições de trabalho.
O secretário da Casa Civil do Rio, Régis Fichtner, disse ontem que, no momento, não existe diálogo com os bombeiros sobre as reivindicações da categoria.
Mal-estar entre PMs
Rio - A manifestação dos bombeiros causou mal-estar entre policiais militares do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). As duas tropas de elite foram convocadas para agir contra os manifestantes.
Quando os bombeiros decidiram invadir o quartel, policiais do Choque afastaram-se para que os manifestantes passassem. No grupo havia mulheres e crianças. Apenas, o coronel Waldir Soares, comandante da unidade, se colocou à frente da multidão na tentativa de impedir a entrada. O militar quebrou o pulso esquerdo e torceu o joelho esquerdo.
Por volta das 5h, quando o Batalhão de Choque e o Bope receberam a ordem de retomar o quartel houve discussão na tropa. Soldados e cabos do Choque se recusaram a participar da ação. Mesmo no Bope se discutiu a situação, mas a tropa cumpriu a determinação.A assessoria de imprensa da PM disse que não há policiais militares presos. O que pode acontecer é o comandante-geral pedir explicações sobre o procedimento dos policiais.