Berlim - Os primeiros testes realizados em amostras de brotos de feijão e sementes germinadas de uma fazenda no norte da Alemanha deram negativo para a presença da bactéria E. coli Enterohemorrágica (EHEC), que deixou 22 mortos na Europa e mais de 2.200 contaminados em 12 países.
O ministro da Agricultura da Baixa Saxônia (norte), Gert Lindemann, anunciou no domingo que os legumes cultivados em uma fazenda em Uelzen podem ser a causa da epidemia da bactéria que matou 21 na Alemanha e um na Suécia.
A fazenda foi fechada e toda sua produção foi recolhida, incluindo ervas frescas, flores e batatas. O ministro disse que 18 tipos diferentes de vegetais produzidos na fazenda estão sob suspeita, incluindo ainda brócolis, ervilhas, rabanete e alho. Dois de seus funcionários também foram infectados com a tóxica variedade de E.coli, segundo Lindemann.
O ministro afirmou ainda que as sementes germinadas são criadas no vapor, a uma temperatura de 38 ºC -ambiente ideal para multiplicação da bactéria. A contaminação, explicou ainda, pode ter vindo da água usada no cultivo ou nas sementes, compradas na Alemanha e em outros países. Ele afirmou ainda que a fazenda não usa excremento de animais como fertilizante, uma fonte comum de contaminação por E.coli.
Até o momento, 23 das 40 amostras colhidas foram testadas e deram negativo para a presença da bactéria. Os outros legumes ainda estão sendo testados e os resultados devem ser divulgados entre ontem e hoje.
Mais cedo, o ministro da Saúde da Alemanha, Daniel Bahr, advertiu contra qualquer conclusão precipitada sobre a suspeita de que a fazenda é a fonte do surto. Bahr aconselhou, de qualquer forma, os consumidores a continuar evitando tomates, pepinos e saladas cruas, além de sementes germinadas e brotos de vegetais.
Alemanha é criticada
Berlim - O governo alemão passou a ser alvo de críticas depois de uma nova suspeita sobre o possível ponto de partida do surto infeccioso de Escherichia coli (E.coli) ter sido ontem derrubada.
Oposição, imprensa e círculos médicos classificam como inepto e desastrado o manejo da crise por parte do governo da chanceler (premiê) Angela Merkel. Dizem que há muita gente opinando demais, e que a população já não sabe em quem confiar.
"Mais perigoso do que a bactéria é o fato de ninguém conseguir orientar a população sobre ela", comentou ontem o diário "Die Zeit". "O que resta ao consumidor é a incerteza. O que nunca se pode comer? Em quem confiar? Falta uma voz unificada na proteção à saúde alemã", acrescentou o texto.
As críticas já ocorriam desde a semana passada, mas se intensificaram ontem, depois que um laboratório descartou que várias amostras de brotos de feijão e de outros legumes produzidos numa fazenda de produtos orgânicos nas proximidades de Hamburgo (norte) tivessem contaminados pela bactéria.
Essa versão havia sido divulgada no fim de semana pelo governo do Estado da Baixa Saxônia, antes da realização de testes. As autoridades locais determinaram o fechamento da fazenda Gartenhöf, fizeram um recall de todos os seus produtos e soltaram um alerta para que os alemães não comessem mais brotos.
É a segunda vez que as autoridades alemãs metem os pés pelas mãos na determinação da fonte do surto.
Na primeira versão, logo no início da infecção, os culpados eram pepinos vindos da Espanha. Exames laboratoriais derrubaram a suspeita e abriram uma crise com o governo da Espanha, que agora pede compensação pelos danos econômicos. Hoje, em Luxemburgo, uma reunião emergencial de ministros da Agricultura europeus deve debater possíveis compensações a produtores agrícolas.