A disputa pelo comando local do PMDB ferve no terceiro andar do Palácio das Cerejeiras desde a segunda quinzena do mês passado, quando a direção estadual do partido destituiu Alex Gasparini da presidência local. As labaredas da disputa estão sendo alimentadas pela divergência dentro do próprio governo local, mesmo Alex sendo assessor de gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Ontem, o próprio prefeito confirmou que Alex foi destituído do comando local, como aconteceu no Interior a partir da reestruturação desencadeada no pós-falecimento de Orestes Quércia. A partir de então, o deputado Baleia Rossi é quem passou a dar as cartas em São Paulo, com comum acordo com o cacique nacional Michel Temer, vice-presidente da República.
"O Alex não é mais presidente do PMDB há uns 20 dias. Nós não divulgamos isso para não alimentar discórdia. Mas o processo de intervenção pela mudança nos comandos aconteceu não só aqui e já é consumado. Na próxima terça-feira a Executiva Estadual se reúne e decide o grupo que vai assumir a Comissão Provisória e o Alex não está na lista que propusemos", conta Agostinho.
Mas o assessor do prefeito tenta se valer de suas relações antigas com quercistas para tentar se encaixar. Segundo Rodrigo, a lista protocolada por ele no comando estadual para assumir a legenda em Bauru tem cinco nomes. "A comissão que está proposta e será decidida pela Executiva Estadual tem eu (Rodrigo) como presidente, o Renato Purini como vice-presidente e compondo o grupo o Gasparini Júnior, a Vera Caserio e o Roberto Purini", menciona o prefeito.
Renato Purini é líder do prefeito na Câmara, Gasparini Júnior é irmão de Alex e preside a Cohab e Vera Caserio secretária municipal de Educação. Mas a destituição de Alex para a indicação de nova provisória está longe de ser o capítulo final da demanda. Alex confronta Rodrigo desde antes da campanha eleitoral de 2008, quando lançou seu próprio nome à prefeito no instante em que o atual prefeito articulava candidatura própria, desistindo de ser vice em outra chapa.
Oficialmente, o comando estadual do PMDB atribui a decisão de mudar a direção local ao resultado medíocre da legenda na última eleição a deputado em Bauru. Mas as trombadas do comando municipal na atual fase são os elementos que estão postos na mesa interna. Neste caso, pesa a favor de Rodrigo Agostinho ter votos em forma de patrimônio eleitoral e mandato.
O prefeito havia adiantado ao JC, no início do ano, que iria se movimentar para assumir o partido, embora não seja afeito a articulações pela legenda. Ele disse que conversou com o deputado Baleia Rossi e este o chamou a liderar o partido na região. Baleia é o comandante estadual do PMDB.