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Mais perigosa, metanfetamina cristal é vendida como ecstasy

William Cardoso
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Um comprimido azul, que custa entre R$ 70,00 e R$ 80,00 com uma bomba estampada tem invadido a noite paulistana e já virou motivo de preocupação no Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc). A nova versão da metanfetamina, conhecida como cristal, é confundida com o ecstasy e já foi alvo de sete apreensões desde 23 de março, levando a polícia a recolher cerca de 10 mil doses.

Segundo o responsável pela Divisão de Inteligência do Denarc, Clemente Calvo Castilhone Júnior, parte das pessoas flagradas com o cristal em forma de comprimido acreditava ser outra droga. "Não estava no formato de pedra ou pó para ser fumado ou inalado. Os usuários se confundiram, pensando se tratar de uma versão mais forte do ecstasy."

O ecstasy é um alucinógeno que provoca a liberação de serotonina e estimula a "afetividade", seguida de profunda depressão. Os efeitos podem durar 8 horas e o produto é encontrado por até R$ 10,00.

Já a metanfetamina age no sistema nervoso central, libera dopamina, causa comportamentos violentos e compulsão sexual por até 30 horas. Ambas causam danos generalizados ao organismo, embora com a metanfetamina os prejuízos sejam maiores.

Em variadas formas e dosagens, a metanfetamina já foi usada por soldados na Segunda Guerra Mundial ou trabalhadores que pretendem se manter alertas por muito tempo. No Brasil, esteve presente em concentração bem menor no medicamento Pervitin, que foi banido.

Exames do Instituto de Criminalística não apontam a metanfetamina como droga ilegal, como ocorre com maconha, cocaína e seus derivados. A desconfiança em relação à substância fez com que o Denarc solicitasse um teste específico para identificar qual era o princípio ativo dos comprimidos.

Castilhone Júnior diz também que o perfil de quem comercializa a metanfetamina em comprimido é diferente dos traficantes comuns. "Notamos que são pessoas que viajam para o exterior, conheceram a droga por lá e a trazem para amigos e conhecidos", afirma.

O delegado explica que as pessoas acabam presas por tráfico, porque, normalmente, têm outras drogas consigo. A apreensão do cristal em forma de comprimido não seria suficiente para isso. Há outros enquadramentos possíveis para quem comercializa ilegalmente a metanfetamina, que podem levar a até 15 anos de prisão.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a metanfetamina é uma substância psicotrópica e pode ser utilizada somente para uso medicamentoso. A venda do seu medicamento está sujeita à retenção de Notificação de Receita A (cor amarela), o mais rigoroso perfil.

Ilegal

Para o delegado Reinaldo Correa, da Divisão de Prevenção e Educação do Denarc, a Anvisa poderia fornecer subsídios para transformar a metanfetamina em uma droga ilegal, como ocorre com os outros entorpecentes.

Eventos internacionais favorecem a entrada da droga no Brasil. Até agora, a droga era encontrada apenas nos Estados Unidos.

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