O verdadeiro autor da onda de assaltos na zona sul de Bauru, que deixava as vítimas sem as roupas, foi preso na noite da última sexta-feira por uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Polícia Civil. Juliano Aparecido Sanches Marcelino, 19 anos, foi detido em sua residência após uma série de investigações que o apontaram como o principal suspeito.
Com isso, Jhonaik Botin, também de 19 anos, preso na última quinta-feira após ser reconhecido por duas vítimas, foi liberado no final da tarde de ontem, segundo o delegado titular da DIG, Carlos Alberto Rocha da Silva.
Após ser localizado no Jardim Ferraz, Juliano Marcelino confessou os crimes à polícia. Em entrevista ao Jornal da Cidade na manhã de ontem, já detido na DIG de Bauru, reiterou a autoria dos roubos.
Ele é acusado de cometer sete assaltos, fazendo ao menos nove vítimas. Para o delegado e à imprensa, ele disse que levava as roupas das vítimas para dificultar o acionamento da polícia e obter algum dinheiro vendendo-as depois (leia mais no texto ao lado).
Porém, antes da confissão de Juliano, Jhonaik havia ficado quatro dias preso na Cadeia Pública de Duartina após ser reconhecido por duas vítimas que foram deixadas sem roupas durante o assalto.
Segundo o delegado Carlos Alberto, essas pessoas podem ter se enganado durante o reconhecimento, já que os delitos foram praticados à noite, o que dificulta a visualização das características físicas. Além disso, na avaliação do delegado, existe semelhança física entre os dois.
"Foi um alívio ter saído da prisão. Eu neguei o tempo todo ter participado dos assaltos e tinha esperança de provar minha inocência", disse Jhonaik, na manhã de ontem. O rapaz, segundo o delegado Carlos Alberto, já tinha passagens pela polícia por roubo.
Jhonaik foi detido por uma equipe da Base de Segurança Sudeste da PM na última quinta-feira após denúncia de uma das vítimas dos assaltos do chamado "ladrão da cueca", que o teria visto andando em uma rua do Jardim Carolina.
No Plantão da Polícia Civil, um grupo de quatro adolescentes que haviam sido assaltados e deixados nus no último dia 3, na quadra 11 da rua Henrique Savi, ficou dividido. Dois disseram não ter condições de dizer se Jhonaik era o autor do roubo, um reconheceu a sua voz e o outro o apontou como sendo o ladrão.
Mas na avaliação do delegado Carlos Alberto, é muito provável ter havido uma confusão diante das semelhanças do porte físico dos dois suspeitos. Ainda ontem, Juliano Marcelino foi encaminhado à Cadeia Pública de Duartina.
Ocorrências começaram no mês de abril
Apesar das ocorrências recentes, uma pesquisa no arquivo do JC revela que o "ladrão da cueca" estava agindo em Bauru desde o final de abril. No dia 30 daquele mês, um grupo de quatro jovens, com idades entre 14 e 17 anos, foi vitimado na quadra 11 da rua Henrique Savi.
Na ocasião, após levar cinco celulares e cerca de R$ 20,00, os adolescentes foram conduzidos até as proximidades da linha férrea, onde foram deixados apenas de cueca.
Cerca de 20 dias depois, o caso reapareceu quando um estudante de 15 anos sofreu roubo semelhante na rua Monsenhor Claro, próximo ao Hospital de Base. Armado de pistola, um indivíduo obrigou o rapaz, que estava a caminho de uma academia, a entrar em um matagal e a ficar nu. Neste episódio, a vítima ainda foi obrigada a pular de uma ponte, com altura em torno de cinco metros.
Outro roubo ocorreu no dia 6 de junho, por volta das 21h, nas imediações do Aeroclube.
Na ocasião, um jovem de cerca de 20 anos foi abordado pelo criminoso com uma arma de fogo e, depois de entregar o celular e a carteira, também teve toda a roupa levada.
Um dia antes, um jovem transitava pela quadra 12 da rua Henrique Savi quando foi rendido por dois criminosos que levaram suas roupas e pertences. No dia 3 deste mês, a uma quadra desse roubo, quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, foram assaltados e também ficaram sem as próprias vestes.
No último dia 10, dois garotos, de 15 e 16 anos, tiveram suas roupas roubadas na linha férrea, no Centro de Bauru. As vítimas foram abordadas por um casal na quadra 10 da rua Quintino Bocaiúva, por volta das 21h. O casal roubou uma bermuda, duas calças, um shorts, duas blusas, uma camisa, uma mochila e dois pares de tênis.
A polícia já identificou uma jovem de 16 anos suspeita de ser a acompanhante do assaltante nesta ocorrência. Hoje ela deve ser encaminhada à Delegacia da Infância e Juventude (Diju).
Assaltante pede perdão
Juliano Aparecido Sanches Marcelino, 19 anos, preso ontem em sua residência acusado de ser o principal suspeito dos roubos em que as vítimas eram deixadas sem as roupas, admitiu a autoria dos crimes.
Com ele foi apreendido um simulacro de arma de fogo, feito com plástico e madeira, que era usado nos assaltos.
"Eu sou usuário de crack desde os 15 anos e, infelizmente, eu perco a cabeça quando faço uso da substância. Se tivesse a oportunidade de conversar com as vítimas, pediria perdão por tudo que fiz", disse ontem em entrevista ao Jornal da Cidade.
Segundo Juliano, os objetos levados das vítimas eram vendidos para comprar droga. Ele ainda contou que obrigava a vítima a tirar as roupas para dificultar a comunicação com a polícia.
"Eu queria também levar as roupas ?pra? mim, e ao mesmo tempo fazia isso para fugir mais facilmente", revelou o rapaz, que teria uma passagem na polícia por tentativa de furto.
Ontem à tarde, quatro vítimas identificaram Juliano como o verdadeiro autor do crime. Depois disso, ele foi encaminhado para a Cadeia Pública de Duartina.