Este tema sempre é muito polêmico, e suas discussões e opiniões apaixonantes, sempre levando na direção da inutilidade do parlamento. O vereador faz parte do Legislativo municipal, devendo legislar, fiscalizar o executivo municipal e cobrar respostas aos anseios da população da cidade, com suas complexidades por conta de interesses antagônicos existentes nas mesmas. Mas, na prática, a coisa muda de figura. A maioria das Câmaras é um verdadeiro balcão de negócios.
Poucos vereadores são fiscalizadores e, estes, geralmente, ficam isolados. O que prolifera são os oportunistas que negociam qualquer coisa para terem um pedido pontual atendido pelo prefeito, e assim propagandearem que foram os conquistadores do benefício, e aqueles que não fazem absolutamente nada para não serem notados, mas estão ali, grudados no cargo como hospedeiros.
Quantas vezes ao dizer que o vereador não deve praticar o clientelismo, o assistencialismo, o tráfego de influência recebemos como resposta: "depois de eleito não quer ajudar". Ora, o vereador não foi eleito para "ajudar a alguém", distribuir donativos, comprar rifa, fazer doação de remédios, jogo de camisa, pedir ônibus para empresários para acompanharem enterro, arrumar consultas médicas, fazer propaganda em inauguração de obras estendendo faixas, participar de convescotes para aparecer nas colunas sociais, arrumar emprego para apadrinhados e "cupinchas" no serviço público.
Cada um dos vereadores deve, no exercício de seu mandato, defender a plataforma com a qual se apresentou à população para solicitar o voto, e nenhum coloca nos seus boletins que vai praticar o clientelismo e o fisiologismo. Este cenário de relações e práticas políticas degeneradas é que alimenta na população a justa indignação, o que é utilizado por gente e grupos bem informados que sempre apresentam uma solução salvadora, com o a redução do número de cadeiras, ou mesmo a extinção das Câmaras, e escondendo o centro da questão.
A maioria da população embarca no discurso "moralista e despolitizado", e assim abre o caminho para que no parlamento a maioria esmagadora das cadeiras seja ocupada por quem não tem nenhum compromisso com suas necessidades, como por exemplo, transporte público de qualidade e barato, saúde pública, que ajuda a população a se organizar para assumir de forma organizada o protagonismo político, que combate a especulação imobiliária, que defende os serviços públicos de qualidade para todos, a isenção de impostos para grandes devedores, que combate a doação do patrimônio público para grupos privados, etc.
A pura e simples redução do número de vereadores, como alguns propagandeiam como se fossem o "templários" da moralidade pública, esconde muitos objetivos inconfessáveis, tais como: a possibilidade de fazer valer a força do poder econômico no processo eleitoral, o financiamento de alpinistas políticos que conquistando o mandato se tornem corretores de seus interesses. Neste caso, mandam às favas os escrúpulos, como já fizeram muitas vezes na cidade de Bauru e no País.
O problema central não é o "número cabalístico de vereadores", e sim o que podemos es-perar de um modelo político que incentiva a adoção de práticas condenáveis aos olhos da maioria, onde para ser eleito são praticadas toda sorte de barbaridades e promessas infundadas.
Não basta votar. É necessário que a população, os trabalhadores e a juventude se organizem em seus bairros, em seus sindicatos, em seus grêmios estudantis, partindo de suas necessidades, para fazerem a disputa política tanto pela via direta como pela via institucional.
Agindo desta forma é que a população vai ver na prática o que é o critério da verdade, quem de fato está a seu lado, quem de fato não tem medo de enfrentar os poderosos da cidade para ver suas reivindicações atendidas.
Não está posto nos dias atuais, mesmo que seja o ideal, a derrubada das bastilhas pelo povo organizado. No parlamento, os marxistas e co-munistas ocupam uma posição tática de apoio aos movimentos organizados dos trabalhadores, do povo e da juventude, que combatem politicamente a exploração de classe.
É necessário, e de forma paciente, a paciência revolucionária para explicar para a maioria da população, que não existe saída dentro deste modelo apodrecido, cujo parlamento é uma das expressões. O parlamento é o que é porque é mais uma das engrenagens do estado burguês degenerado, que precisa ser colocado no chão.
"Se o capitalismo é incapaz de satisfazer as reivindicações que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, então que morra!" Leon Trotsky.
Roque Ferreira - PT - Mandato Operário, Popular e Socialista http://www.roquevereador.com.br - http://www.marxismo.org.br