Bairros

Pacientes ficam sem ambulâncias

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com apenas uma viatura em condições de rodar, a Central de Ambulâncias da Secretaria Municipal de Saúde suspendeu nesta semana todos os agendamentos para transporte de pacientes até unidades básicas e hospitais da cidade e da região. Com isso, pacientes que demandam maiores cuidados para o deslocamento tiveram de desmarcar atendimentos médicos, caso não tivessem como providenciar o serviço por meios próprios. Segundo o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da pasta, o transporte por meio de outros veículos, como vans e peruas, continua funcionando normalmente.

Mas quem tem dificuldades de se locomover e precisar ser transportado deitado, como o aposentado Cláudio Tadeu, 61 anos, terá de esperar até a próxima terça-feira, quando quatro das seis ambulâncias quebradas da central devem voltar a operar. Nesta semana, com apenas uma ambulância, a central atendeu apenas os casos prioritários e contou, em algumas ocasiões, com apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Conforme explica o diretor do DUE, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, as viaturas, antigas e desgastadas, sofreram avarias e o conserto demorou a ser providenciado porque os recursos tiveram de ser solicitados por meio de empenho (ato pelo qual o administrador vincula determinada despesa a determinado recurso orçamentário).

"Como esta manutenção custa caro, não poderia ser realizada através de autorização simples, que é emitida mais rapidamente. Então ficamos desabastecidos nesta semana. Mas os empenhos saíram e os veículos já estão sendo consertados. Até a próxima terça-feira, esperamos estar com pelo menos cinco delas em atendimento", observa.

Em razão falta de estrutura, o aposentado Cláudio Tadeu está incerto quanto ao seu comparecimento a uma consulta agendada para o dia 22 deste mês no Hospital de Base. "Liguei esta semana na central e eles disseram que não poderiam agendar nada, porque não tinha viatura. Pediram para eu ligar na semana que vem. Se eles não resolverem esta situação até o dia do meu retorno no médico, vou ficar sem atendimento", lamenta.

Incerteza

Há quatro anos, Tadeu sofreu um derrame que o deixou com dificuldades para caminhar. Nos últimos três meses, após uma queda que resultou na fratura de um fêmur, seu quadro de saúde tornou-se ainda mais delicado. Hoje, dentro de casa, ele se locomove por meio de uma cadeira de rodas e, por conta do sobrepeso, só pode ser transportado em veículos que permitam que ele permaneça deitado.

"Além de precisar retornar todo mês ao médico para acompanhar como está a minha perna, também preciso ir ao posto de saúde para controle da hipertensão e do derrame. Toda vez que preciso agendar ambulância é uma vida. Preciso agendar com um mês de antecedência, senão não consigo. Não sei como será agora, com tudo em cima da hora", afirma.

Nesta semana, além de contar com reforço do Samu, a central também chegou a acionar a ambulância do Instituto Lauro de Souza Lima para trazer de volta a Bauru pacientes que receberam alta em hospitais da região.

Os atendimentos que puderam ser adiados, entretanto, começarão a ser remarcados a partir da semana que vem.

Para tentar dar uma solução definitiva para a obsolescência das ambulâncias da central, a Secretaria Municipal de Saúde já abriu licitação para a aquisição de sete novas viaturas. A expectativa, de acordo com Sabbag, é de que os veículos antigos sejam substituídos dentro de 90 dias.

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