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Região tem vinho de produção artesanal

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O vinho socializa as pessoas. A taça com a bebida agrega e sempre vem acompanhada de um bom papo e muitos amigos. A bebida, que é considerada a dos deuses, também contribui para a saúde se tomada em pequenas quantidades e rotineiramente. Na região de Bauru, mais precisamente em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), a imigração italiana e portuguesa garante a produção caseira, artesanal.

Produzida com uvas não muito apropriadas para vinho, a fabricação artesanal traz uma mistura de tradição, saudosismo e hobby. Uvas plantadas em pequenas propriedades e colhidas no final do ano geram vinhos para serem apreciados o ano todo por quem faz, por quem tem amigo, para a família e até para serem vendidos.

"Quem gosta deve continuar fazendo. Não deve ficar preso à obrigação de fazer um grande vinho, porque o Brasil, para fazer um grande vinho tinto, tem investido fortunas. Se você imaginar que vai fazer um vinho para atender o seu paladar, sua satisfação, sem pretensões maiores, isso basta", opina o enófilo e chefe de cozinha Jefferson Previero.

Para ele, a produção de Lençóis Paulista, com poucas exceções, é para consumo próprio e tem uma receita básica: uva vira vinho. "A maioria produz para eles mesmos. Fazem da maneira deles, com uvas de mesa, a mesma vendida em supermercado. Essa fruta não tem estrutura para um vinho bem estruturado. Gera vinhos básicos."

Ele explica que são vinhos que, muitas vezes, não têm adição de açúcar e nem conservante. "O produtor artesanal depende da sacarose da fruta. Se no ano tiver muita chuva, a uva fica menos doce, mas ele não tem que se preocupar porque não necessita manter um padrão, como a indústria. Não passa por controle de qualidade e nem tem inspeção sanitária. Isso deixa o produtor mais livre porque ele não precisa manter o mesmo nível alcoólico como no industrializado."

Sem conservante, o vinho caseiro não deve ser armazenado por mais de um ano, sempre com a garrafa deitada para molhar a rolha de cortiça que, depois de inchada, evita vazamentos.

O vinho tinto nacional, que está com melhor estrutura no momento, são os produzidos na divisa do Brasil com o Uruguai, na região conhecida por campana gaúcha. Os melhores brancos estão na Serra Gaúcha.

Para Previero, o consumo de vinho no Brasil cresceu porque houve uma mudança cultural. "Muita gente que tomava o vinho de mesa passou a tomar o vinho fino. Outras abandonaram a cerveja por questões de saúde e descobriram o vinho. A bebida a partir da uva faz bem para o coração. Mas não adianta tomar uma garrafa hoje e pronto. É preciso tomar um cálice por dia, todos os dias. Todos os vinhos contêm as mesmas propriedades."

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