Regional

Rocinha dá novo layout para bebida artesanal

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Visitar o Sítio Rocinha é quase que uma obrigação para quem quer conhecer de perto o processo de fabricação caseira de vinho. Artesanal, com muita honra, a bebida está com nova roupagem.

Ganhou garrafas padronizadas, rótulos e "cara" de profissional. Só o sabor é que foi conservado para não frustrar os consumidores.

No local, é possível apreciar a bebida, ver as parreiras e conhecer construções históricas, inclusive uma velha adega que guarda retratos dos primeiros imigrantes italianos que chegaram às margens do rio Lençóis, comenta Marisa Casagrande.

"A Rocinha é um dos bairros mais antigos de Lençóis. Ficou conhecido por vender uva "in natura". Vendemos até hoje a niagara rosada no final do ano."

A nova geração, que já está na quarta, conservou a tradição de fazer vinho. "Todo italiano tem sempre seu vinho. Não deixa faltar. Em 2004, quando meu marido Edmilson Casagrande veio ajudar o pai na propriedade, preservou a história e decidiu investir na produção de uva. O bom vinho precisa de uma boa uva."

Na busca da fruta que desse um bom vinho e que ao mesmo tempo se adaptasse às temperaturas locais, o casal encontrou a máxima. "Ela é híbrida, desenvolvida em laboratório e se adaptou bem ao clima. Aqui é quente e algumas variedades plantadas no Sul do País não se desenvolvem", explicou.

Atualmente, a vinícola Casagrande trabalha com duas variedades: a niagara rosada e a máxima. "Antigamente se fazia vinho com as sobras. Teve ano que tivemos apenas 200 litros. A demanda cresceu e na safra de 2009 produzimos 6 mil litros. No ano passado, 8 mil. A venda é feita no local."

Buscando aperfeiçoar a elaboração da bebida, a família estuda novos processos.

"Para melhorar estamos aperfeiçoando a colheita, porque a fruta sadia e madura gera um bom vinho. A maneira de fazer continua a mesma, artesanal. Não usamos química para arredondar nem para dar cheiro."

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Fruta selecionada para o vinho


Os vinhos tintos produzidos na Rocinha são elaborados a partir de uma fruta híbrida, denominada máximo. A colheita acontece nos últimos meses do ano. É possível adquirir uvas niagara rosada e branca "in natura". Após a colheita, as uvas destinadas à confecção do vinho passam pelo processo de esmagamento e, depois de separado o engaço do mosto, seguem para os tanques especiais para passar pela fermentação.

No processo de fermentação é que o açúcar natural da uva se transforma em álcool. Depois dessa fase, a bebida segue para a adega onde passa por trasfegas sucessivas e pelas fases de amadurecimento e envelhecimento, chegando ao engarrafamento.

Edmilson Casagrande, que faz parte da quarta geração da família dos imigrantes italianos, é quem atualmente administra a vinícola, juntamente com seu pai, Arcides. Ele explica que a temperatura da adega é mantida em torno de 18 graus para não alterar o sabor da bebida.


Roça vira parreira

Em 1889, a família Casagrande se instalava às margens do rio Lençóis e desenvolvia pequenas roças voltadas à subsistência, fato que gerou o nome Rocinha. O plantio de uvas e a produção do vinho artesanal começaram quando os italianos José e Martina Gamba Casagrande e seu filho Primo Casagrande imigraram para o Brasil e adquiriram a terra.

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