Tribuna do Leitor

Greve de triagem de 1949, resgate agora


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Em sessão plenária da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, realizada no último dia 14, os 15 conselheiros presentes, em discussão e votação histórica, aprovaram a anistia política de um dos "cabeças da greve de Triagem no distante ano de 1949", camarada Arcôncio Pereira da Silva. A relatora do processo, Sueli Bellato, posicionou-se contra a anistia ao velho militante e seu voto foi contestado pelos conselheiros Prudente Mello e Virginius Lanza, que pugnaram pela efetiva aplicação da legislação ao caso do velho e incansável militante das lutas pelos direitos da classe trabalhadora. Onze a três foi o placar final deste histórico julgamento.

Venceu Arcôncio. Aos 95 anos de idade, prestes a completar 96, recuperou os direitos que lhe foram solapados em 1949, por sentença do então juiz de direito da Comarca, Eugênio Teixeira de Andrade, que autorizou a Companhia Paulista de Estrada de Ferro a demiti-lo por ser professante do "credo vermelho".

A Justiça tardou e não falhou. Tivemos o orgulho e a satisfação de representar o camarada Arcôncio neste histórico julgamento e dele saímos com a agradável sensação do dever cumprido. Estávamos irritados e inconformados desde o julgamento realizado na turma que indeferiu a anistia de Arcôncio. Recorremos, brigamos e com a ajuda inestimável dos companheiros Darcy Rodrigues e Joaquim Mendonça Sobrinho, juntamos novos documentos e conseguimos a vitória.

Já requeremos, junto à Comissão de Anistia, cópia da fita de vídeo para exibir aos interessados em nossa cidade e, dessa forma, calar definitivamente a boca de uma eterna "cassandra do inconformismo", que se esconde atrás de uma "siglinha de bossa", destilando, de forma contínua, veneno contra nossa atuação em defesa dos ex-presos e perseguidos políticos pelos regimes de exceção implantados em nossa Pátria no século passado.

Finalizando, no próximo dia 21, estaremos em Fortaleza na homenagem que o Ceará Esporte Clube irá prestar ao seu ex-jogador Fernando Antunes Coimbra. Nos anos de chumbo, o clube foi obrigado a cumprir determinação do Serviço Nacional de Informações (SNI) e rescindir o contrato de seu brilhante atleta, acusado de subversão. Proibido de jogar futebol pelos militares, preso e torturado, Fernando é considerado pelo seu irmão, Zico, como o verdadeiro craque da família. Coisas da repressão.

O autor, Antonio Pedroso Junior, é membro do Fórum Permanente dos Ex-presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo

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