Tribuna do Leitor

Outra sugestão à professora


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Professora Márcia, esta não é a primeira nem será a última vez que lhe faço essa sugestão. Mande emoldurar seus títulos: Mestre em comunicação, obtido com enorme sacrifício junto à Unesp em 2003; o título de doutora em literatura brasileira pela USP, obtido em 2009, após incontáveis noites não dormidas para o estudo e elaboração de sua tese; e coloque-os todos em uma parede de destaque de sua casa, de forma que atestem a todos que os virem, que você se empenhou, você deu vazão à sua vocação herdada de tantos familiares, seus pais, inclusive, que de forma tão abnegada desempenharam o papel de educadores, quando a educação era tida e reconhecida como indispensável para a formação de cidadãos, para o estabelecimento de uma consciência coletiva e, finalmente, para o enriquecimento de uma Nação.

Mas, sinceramente professora, na sociedade em que vivemos, mais ainda, no País em que vimos nos transformando, a educação há muito deixou de ser reconhecida e menos ainda os mestres respeitados. Em um País onde o Ministério da Educação distribui livros didáticos com erros elementares (10 ? 7 = 4), onde professores são constantemente agredidos em sala de aula, escolas são depredadas e sofrem toda ordem de vandalismo.

Um País ou um Estado em que, quando um professor é questionado de maneira intempestiva e ameaçadora por cumprir seu papel e respeitar uma orientação pedagógica, vem o representante do Estado (Secretaria da Educação) e afirma que "determinou a instauração de um processo averiguatório preliminar... A Pasta (Secretaria Estadual de Educação) ressalta ainda que o material utilizado no curso de pós-graduação lato sensu em língua portuguesa do programa Redefor, é destinado somente à formação de docentes... O curso não propõe conteúdos para serem trabalhados em sala de aula...", vale à pena continuar insistindo nessa vocação? Professora, olhe para seu holerite, olhe para as tantas horas não remuneradas que bem sei, a senhora dispensa para o preparo adequado de suas aulas. Vale à pena?

Analise quantas vozes se levantaram não em sua defesa, mas em defesa da árdua função desempenhada hoje pelos professores. Compare com o número de manifestações recentes a cerca, por exemplo, da aposentadoria do "fenômeno", Ronaldo, ou para nos limitarmos à imprensa local, a quantidade de manifestações sobre se devemos ter mais ou menos vereadores em nossa magnânima Câmara de Vereadores. Vale à pena?

Professora Márcia, não seria o caso de, ao invés de oferecer educação formal, representar qualquer linha de produtos supérfluos e de consumo fácil e, com sua eloquência e vasto conhecimento de nossa língua, realizar grandes vendas e saciar essa nossa sociedade de consumo? Pense nisso, minha irmã.

Luiz Otávio Barbosa Vianna

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