Nacional

Prefeito de Taubaté é preso pela PF


| Tempo de leitura: 2 min

Taubaté - A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Urupês e prendeu o prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), e a mulher dele, Luciana Flores Peixoto, sob suspeita de associação com cartel para fornecimento de merendas e medicamentos, fraudes em licitações, superfaturamento, corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A PF rastreia propinas de duas empresas para Peixoto que somam R$ 5 milhões. O casal foi capturado em sua própria residência, no centro da cidade.

Também foi detido Carlos Anderson dos Santos, ex-presidente da comissão permanente de licitações e ex-chefe do departamento de compras da prefeitura. Ele é contador do prefeito. As prisões têm caráter temporário, por 5 dias.

As denúncias contra o prefeito remontam a 2007 - ele está em segundo mandato. A PF assumiu a competência sobre o caso porque pode ter ocorrido desvio de recursos da União, repassados para execução de programas nas áreas de educação e saúde.

Dois contratos que estão sob análise pericial da PF provocaram desembolso total de R$ 36 milhões.

A força-tarefa mobilizou 54 agentes e delegados para cumprimento de 13 mandados de buscas, dez em Taubaté e três em São Paulo. Os policiais vasculharam a casa do prefeito por quatro horas. Do lado de fora uma multidão aglomerou-se à porta. Aplaudiu, soltou fogos e gritou "justiça" quando Peixoto, sem algemas, saiu no carro da PF. Seu gabinete na sede da prefeitura, também foi inspecionado.

Fantasmas


Os federais percorreram a residência da filha de Peixoto, em um condomínio de alto padrão. Há suspeita de que bens adquiridos de forma ilícita pelo prefeito teriam sido registrados em nome dela. Foram recolhidos documentos e arquivos de computadores. A ordem para a Operação Urupês foi dada pelo Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, que acolheu requerimento da PF e da Procuradoria Regional da República. A PF batizou a missão com o nome de famosa obra de Monteiro Lobato, escritor nascido em Taubaté.

"Estamos investigando empresas contratadas sem concorrência e outras arranjadas, conduzidas", declarou André Carneiro, da PF, que conduz a operação.

A PF fez buscas em três empresas, uma em Taubaté e duas em São Paulo. Uma linha de investigação aponta para a existência de empresas fantasmas. A PF mira a Acert Serviços Administrativos, contratada em 15 de dezembro de 2008, sem licitação, ao preço de R$ 1,6 milhão. A Acert assumiu o gerenciamento dos medicamentos adquiridos de outras empresas depois da Operação Parasita, contra fraudes de R$ 100 milhões no setor da saúde em várias prefeituras, inclusive a de Taubaté.

A PF constatou que a Acert não tem sede, informática, nem linha telefônica. A empresa nunca teve outro cliente, antes de fechar com a gestão Peixoto. A primeira nota fiscal emitida pela Acert, número 0001, em 5 de agosto de 2008, discrimina "prestação de contas da campanha eleitoral de Roberto Peixoto".

Comentários

Comentários