Nova York - O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a retirada de 10 mil militares americanos do Afeganistão neste ano, segundo o "New York Times" e o "Washington Post". De acordo com o "New York Times", outros 23 mil militares deverão voltar para os EUA na metade do ano que vem.
Os EUA contam hoje com cerca de 100 mil homens no Afeganistão, e a retirada seria equivalente ao contingente extra de tropas enviado no fim de 2009. O anúncio marca um contraste entre a decisão de Obama e o desejo do comando militar, inclusive do general David Petraeus, comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão, que vai assumir CIA (agência de inteligência).
Os militares queriam um corte menor no efetivo, feito de maneira mais gradativa. Obama, no entanto, sofre a pressão do seu partido, que cobra a retirada de uma guerra impopular e que consome gastos bilionários mensais em um momento em que os EUA vivem uma crise fiscal.
Segundo pesquisa divulgada nesta semana, 56% dos americanos querem a retirada das tropas do Afeganistão o mais "rápido possível" - patamar recorde desde que o levantamento teve início e que cresceu após a morte de Osama bin Laden, em 1 de maio.
O presidente americano enfrenta a campanha de reeleição no ano que vem, em que também será pressionado pelo mau momento da maior economia mundial.
Gastos
Os EUA gastam cerca de US$ 10 bilhões a cada mês com a guerra no Afeganistão. Com a economia em crise, o deficit anual do governo tem ultrapassado a casa de US$ 1 trilhão, já que aumentaram os gastos estatais de estímulo e a arrecadação caiu.
Nas últimas semanas, lideranças políticas vêm cobrando uma saída mais rápida do Afeganistão, priorizando o combate ao braço da Al Qaeda no país.
A retirada de pelo menos 30 mil militares pode significar que o governo americano está recuando das suas ambições na região.
Em 2009, Obama disse que as prioridades dos EUA eram não só o combate à Al Qaeda e ao Taleban, mas também permitir que o Afeganistão tivesse tempo para organizar seu governo e suas forças de segurança.
Ao chegar ao poder, há dois anos, Obama priorizou a guerra no país em relação à do Iraque. Mesmo que a retirada seja confirmada, os EUA continuarão com quase 70 mil soldados no país, aproximadamente o dobro do que havia no fim do governo George W. Bush (2001-2009).