Entrar no consultório do dentista e, sem sentir dor, medo ou sequer ouvir o temido barulhinho do motor, ter seus problemas resolvidos. A proposta atraiu a paulistana Marcella Steingel, 24 anos, ao consultório do dentista Flávio Luposeli, no Itaim, região sul de São Paulo. "Eu procurava um tratamento que fosse rápido, mas também sem dor e desconforto. Parecia impossível", conta ela, que fez clareamento, limpeza nos dentes e restaurações. Tudo numa única sessão, e no melhor estilo spa odontológico, serviço que surgiu nos consultórios na década de 90, mas vem ganhando investimentos e rendendo mimos aos pacientes.
No consultório de Luposeli, é possível fazer vários tratamentos de uma vez, otimizando o tempo, com auxílio de outros dentistas, numa espécie de força-tarefa. Geralmente, usa-se uma sedação, aplicada por um médico anestesista. Não se trata de anestesia geral, e sim de uma sedação, para relaxar e dormir. O motor só é ligado depois. "Isso garante que o paciente não sinta dor ou estresse. Ele acorda com tudo pronto", diz Luposeli. Antes, sua clientela era formada por empresários com agenda atribulada. Hoje, é procurado por quem quer praticidade e bem-estar. "Sem contar os que têm fobia de dentista", diz.
No caso de Marcela, que é atriz, foi a rotina atribulada da profissão que a motivou. "Faço testes toda hora. Não poderia ficar com tratamentos pendentes. Em um dia de clínica, fiz procedimentos que levaria três meses para fazer", conta ela. E dá pra fazer quase tudo: restaurações, tratamento de gengiva, alinhar o sorriso, próteses e até botox nos lábios.
Para o dentista Wilson Roberto Sendyk, que também oferece o serviço de spa, o imediatismo da vida urbana tem feito aumentar a demanda. "Não adianta exigir fazer tudo correndo só por pressa. Spa odontológico envolve planejamento. Precisamos saber tudo da saúde do cliente, já que ele será sedado", alerta Sendyk.
Por isso, uma internação só é marcada após uma avaliação minuciosa da saúde bucal, geral e até psicológica, para quem tem fobia. É a partir desse exame que o dentista define quantos profissionais ele terá ao seu lado no dia, entre assistentes e até massagistas. No planejamento, inclusive, é definido o valor, mais alto do que se o tratamento fosse fracionado, como nos procedimentos comuns. "Em média, um tratamento é 40% mais caro quando exige exames laboratoriais, que são entregues no mesmo dia. Caso contrário, o valor a mais é o do anestesista, cerca de R$ 1 mil", diz Luposeli.
Mimos e mais mimos
Durante um tratamento na clínica de Sendyk, na região do bairro dos Jardins, enquanto o paciente espera o resultado de um exame, por exemplo, é levado a uma salinha de espera. Ali, recebe um lanche preparado por uma nutricionista, pode ver televisão, assistir a DVDs e tem acesso a internet e telefone. Pacientes que sintam medo podem conversar com terapeutas.
Já o dentista Conrado Ferreira Pinto levou ao pé da letra o conceito de bem-estar. Em 1998, ele criou, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a clínica Spa Odontológico, que acaba de ganhar uma filial na capital. Lá, o paciente ingressa às 8h30 e é recepcionado como se estivesse num hotel: com café da manhã, massagem, almoço, DVDs... A primeira atividade é ser examinado por um clínico geral, que vai medir a pressão e a glicose. Os dados vão para uma nutricionista, que planeja a alimentação do dia. Após a primeira delas - o café da manhã -, um massagista e um fisioterapeuta indicam a posição mais indicada para o paciente se posicionar na cadeira, que é ergonômica. "Com esse cuidado, evitamos cãibras e dores posteriores ao tratamento", diz Ferreira Pinto.
Mimos como esses conquistaram a empresária Guiomar Contartevi, 60. Para aproveitar as regalias, nem foi sedada. "Tomei apenas um tranquilizante receitado pelo médico", conta ela, que nem se incomodou com o barulho do motor. A música também ajudou. "O som me deixou relaxada. E eu podia ficar assistindo a um filme, já que tinha uma TV na sala", lembra. Assim, o pacote que incluiu restaurações, clareamento, limpeza e até implante dentário pareceu leve. "Saí de lá sorrindo."
O aparelho invisível
A grande preocupação de quem precisa pôr aparelho nos dentes é com a aparência. E ninguém gosta de ficar com o sorriso metalizado, com a armação metálica à mostra. Para a alegria desses pacientes, há uma novidade no mercado. Um aparelho com técnica alemã trazida pelo dentista Flávio Luposeli, no ano passado, acaba com esses temores. Invisível, confortável e fácil de ser colocado, o Aparelho Lingual, usado para alinhar os dentes, fica na parte de dentro da boca e é fixado na parte de trás dos dentes. Ou seja, não aparece no sorriso.
O aparelho invisível já existia no País, mas as marcas disponíveis no mercado eram muito caras e, experimentais, causavam certo incômodo aos pacientes. A nova versão é mais discreta e mais fina - tem apenas 1,2mm de altura e dispensa o uso de elásticos para prender os fios nas peças dos aparelhos, acumula menos sujeira e o melhor, é mais eficiente. Em média, o tempo de uso é 40% menos do que o do aparelho tradicional. "De dois anos, o tempo cai para um ano e dois meses em média", estima Luposeli. O valor ainda é alto: R$ 1.500. Mas, segundo o dentista, as manutenções são menos recorrentes e, portanto, o preço acaba compensando. A manutenção costuma ser mensal mas, dependendo do caso, o paciente pode ficar até três meses sem precisar voltar ao dentista. "Muita gente vinha aqui e descartava colocar o aparelho fixo por causa da aparência.
Agora, essa discussão acabou", diz Luposeli. A técnica, que permite uma correção progressiva, é mais precisa. "Um gel é aplicado na parte de trás dos dentes e, após uma limpeza, o aparelho é fixado com um adesivo especial".
Para esse novo modelo, não há contraindicações e pode ser usado por adultos e crianças, mesmo com dentição mista. E o sorriso não vai ficar metalizado.