Caminhar alivia o estresse e estimula a oxigenação cerebral. Por todos os benefícios que traz à saúde, virou recomendação médica. Mas não é uma prática que agrada aos motoristas que procuram o Centro de Bauru. No entanto, devido ao aumento da frota de veículos e à falta de vagas para acomodar todo mundo, esses mesmos condutores estão sendo obrigados a andar distâncias cada vez maiores para chegar ao destino.
Motorista por profissão, Adelto Rodrigues Souza, 56 anos, diz que toda vez que vai ao Centro se depara com duas opções: gastar combustível rodando até encontrar uma vaga disponível ou estacionar a várias quadras do local onde precisa ir. Foi o que ele fez na semana passada. Deixou o carro a seis quadras das agências bancárias e lojas do Centro onde precisava ir com a esposa, a costureira Marinete Oliveira de Souza, 55 anos.
"Faço isso direto. Quando não dá para vir bem cedo, é uma dificuldade para achar uma vaga perto do Centro. Então, tem que andar", reclama ele. Se o trecho da casa dele até o Centro da cidade não tivesse um cansativo sobe e desce, Adelto afirma que seria mais vantajoso ir a pé. "Para vir é descida, dá numa boa. Mas na hora de voltar é subida. Aí é mais difícil", comenta.
E para ir ao Centro de ônibus, muda só o motivo do nervosismo. "O ônibus que vem para cá (Centro) está sempre lotado", observa Marinete.
O vendedor autônomo Mauro Viotto, 57 anos, também costuma se dirigir até a região central da cidade com frequência. Perdeu as contas de quantas vezes se irritou com a falta de vagas. Segundo ele, perdia-se mais tempo procurando um lugar para deixar o carro do que para fazer o que ele precisava no Centro. "Muitas vezes, é tão rápido que não compensa pagar estacionamento", alega. Diante da situação caótica, ele passou a se programar para ir ao Centro logo de manhã, quando a movimentação de veículos não é tão intensa. "Depois das 9h30, só um milagre para achar uma vaga nas ruas centrais. Normalmente, depois desse horário só vai ter vaga umas cinco quadras do Centro", diz.
O comerciante Adonias de Lima, 43 anos, também gostaria de poder escolher o horário que ele passa pelas ruas centrais da cidade. Mas não pode. Ele leva e busca a esposa que trabalha no Centro. "É todo dia assim", diz ele, enquanto esperava a esposa a algumas quadras do local onde ela trabalha. Já são três anos nessa rotina. Apesar do tempo, ele diz que é difícil acostumar.
A secretária aposentada Regina Rosa, 60 anos, diz ter convivido muitos anos com esse problema, que, segundo ela, havia se agravado nos últimos anos. "Às vezes, eu deixava na casa de um amigo, que morava cerca de quatro quadras de onde eu trabalhava", conta. E outras vezes, o marido levava e buscava. Eram pouquíssimas as vezes que ela conseguia deixar o carro perto do serviço, no Centro. "Só com muita sorte", afirma. E para deixar na rua, em um local distante, ela tinha medo do veículo ser furtado.
O mesmo medo que tem a promotora de vendas Flávia Viana, 32 anos, que vai ao Centro pelo menos três vezes por semana. Segundo ela, dependendo do horário que ela vai para lá, ela já chega preparada para andar bastante. E não tem como escapar. Os estacionamentos privados, segundo ela, também estão sempre cheios e pagar por eles toda vez que precisa ir ao Centro vai deixar a conta salgada no fim do mês.
Nos últimos cinco anos, a frota de veículos em Bauru cresceu impressionantes 48%. Saltou de 141 mil veículos em maio de 2006 para 209 mil, em maio deste ano, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
Os problemas com a falta de vagas para estacionamento não se limitam ao Centro da cidade. A dificuldade é observada também em outros locais, especialmente onde há concentração de lojas e outros estabelecimentos comerciais.
Mudança de hábito
O técnico de informática Gabriel Valentim, 27 anos, só tem tempo para comprar roupas, calçados, presentes ou qualquer outra coisa no final de semana. E sábado e domingo são os únicos dias que ele tem a oportunidade de dormir até um pouco mais tarde. Portanto, ele não é daqueles que levanta cedo para garantir vaga no estacionamento. Quando sai de casa no sábado, normalmente, as ruas estão cheias e os estacionamentos lotados.
Como o bairro onde mora, no Jardim Marambá, conta com uma boa estrutura comercial, decidiu fazer as compras por ali mesmo. "Com isso, descobri lojas interessantes, que eu nem sabia que existiam aqui no bairro", conta. E quando não tem como escapar do Centro, ele vai de ônibus. "É bem menos estressante."
Ele comenta que não é apenas no Centro da cidade que há sérias dificuldades para encontrar vagas de estacionamento. Segundo ele, o problema se repete na região do shopping e nas proximidades das lojas que ficam no início da avenida Getúlio Vargas. "Sempre que vou a esses lugares em horário comercial, deixo o carro longe de onde tenho que ir", relata.