Tribuna do Leitor

As multas dos azuizinhos


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Se são legais ou não, não cabe a mim decidir. No entanto, posso relembrar os velhos tempos. Tínhamos policiais de trânsito nas ruas. Trabalhavam a pé, nas ruas 1.º de Agosto, Batista, avenida Rodrigues Alves e suas transversais. Apesar de serem policiais de trânsito, tinham capacidade (de sobra) para atender qualquer tipo de ocorrência. Quando não, chamavam uma viatura específica, mas as primeiras providências já eram tomadas por eles. Na sua caminhada, já efetuavam também o policiamento preventivo. Conheciam o dono da farmácia, o gerente do banco, dos bares e das joalherias. Não havia a Emdurb. O trânsito era gerenciado pela Polícia Militar, juntamente com a prefeitura. "Agora, terceirizaram tudo!" Encontramos nas ruas os azuizinhos. Homens que, após três meses de instrução, saem pelas ruas da cidade munidos de um bloco de multas. Multam e orientam... Será?! A verdade, é que são respeitados pelo bloco de multas que carregam no bolso, e não pela instituição (GOT). Nada contra, mas deve-se lembrar que, apesar da boa vontade em resolver o problema, a distância entre eles é imensa. Vejamos: demora-se um ano para se formar um policial militar. Na Escola de Polícia, aprendem até os princípios básicos de direito penal. E não acaba aí! Depois, ficam dois anos em observação, onde são avaliados se servem para a função. Através de "Comandos de Trânsito" o policial é inserido nele, onde recebe orientação de um outro mais velho. Só depois é que pega um bloco de multas na mão. Sai para fiscalizar e orientar... e é fiscalizado também, pelos seus superiores. Existe ou não uma imensa diferença?

Na verdade, em momento algum deve-se culpar o comando dos policiais! Deve-se culpar, única e exclusivamente, o governo do Estado. O governador, mais precisamente. Não valoriza seus policiais! Só se preocupa em comprar viaturas. Há casos em que elas ficam paradas, pois não há quem as dirija. Por que não investir nos policiais? A população cresceu. Distribui viaturas à vontade, quanto ao aumento de efetivo... nem tanto! Viaturas aparecem mais, não é, senhor governador? Politicamente é melhor, não é, senhor governador? O senhor deveria entender que ser policial militar é um sacerdócio, pois ganha-se uma miséria e não se preocupa em arriscar a vida todos os dias. Veja os policiais do Rio. Espelhe-se neles... "E ponha suas barbas de molho!" Vêem dinheiro correndo para todo o lado, mas eles próprios não o têm nem para pagar um aluguel decente a suas famílias. Alguns viram bandidos e, pode-se dizer, de alta periculosidade! Os combateram... e sabem toda sua malícia!!!

Luiz Carlos Pasquarelo

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