Criadas pelas igrejas para comemorar o aniversário dos santos Antônio, João e Pedro, as festas juninas estão extrapolando o âmbito religioso e ganhando, a cada ano, cada vez mais espaço em escolas, clubes, ruas, empresas, comunidades e até condomínios residenciais. Em Bauru, ao longo deste mês e início do próximo, serão realizados ao menos 64 arraiás e quermesses que, embora cada vez mais numerosas, ainda mantêm seu potencial turístico e econômico inexplorado.
Pelo grande público que atrai, a celebração típica desta época do ano movimenta a economia informal, além de ser uma importante fonte de arrecadação para paróquias e entidades assistenciais (leia mais abaixo). Mas, mesmo sendo o principal evento cultural e de entretenimento neste período, não recebe o impulso de iniciativas públicas ou privadas para divulgação em nível regional.
"Não temos um trabalho específico para isso, mas é algo a ser pensado, porque as festas realmente movimentam a cidade", comenta o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari. De acordo com ele, para o próximo ano a pasta planeja elaborar um calendário oficial com todas as celebrações juninas e julinas de Bauru para divulgação local e nas cidades próximas.
Mas não é apenas na quantidade de festas neste período - uma média de duas por dia - que o município se destaca. Atualmente, estão entre os principais atrativos as comemorações que já se tornaram tradicionais, como a da Universidade Sagrado Coração (USC), Colégio São José, Serviço Social da Indústria (Sesi) e da sede de campo do Bauru Tênis Clube (BTC), além das paróquias de São João, São Pedro, São Benedito e Santo Antônio. Nestes eventos de maior alcance, a cidade costuma receber visitantes de Piratininga, Pederneiras e Agudos, entre outras cidades.
"A impressão é que, a cada ano, a presença do público tem sido maior e até as paróquias que não costumavam realizar festas começaram a fazer uma celebração interna entre os membros das pastorais e dos movimentos que trabalham na comunidade", aponta o padre Marcos Pavan, pároco da Catedral do Divino Espírito Santo.
Presidente do Bauru Convention & Visitors Bureau, Michele Obeid explica que a cidade não possui estudo específico sobre como explorar o potencial turístico das comemorações juninas, mas frisa que uma estrutura de divulgação e recepção de turistas apropriada poderia aquecer ainda mais este nicho de mercado. "Ainda que os santos sejam apenas três, as festas acontecem durante várias semanas. E a gente sabe que algumas igrejas e instituições só não realizam festas maiores por falta de espaço, porque realmente a demanda existe", pontua.
Mas, além das celebrações já consolidadas na cidade, as confraternizações regadas a vinho quente e quentão estão se tornando cada vez mais populares também em bairros periféricos e até mesmo condomínios residenciais de alto padrão. Segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), somente neste mês 25 pedidos de interdição de rua e outros 15 alvarás foram emitidos pela pasta para a realização de arraiás e quermesses em Bauru.
"Mas, muitas vezes, até por falta de conhecimento, moradores acabam realizando a festa sem a autorização da Seplan, principalmente quando a rua quase não tem trânsito de veículos. São festas comunitárias, sem montagem de grandes estruturas como palco de shows, por exemplo, mas que são muito comuns nos bairros", observa a chefe de seção de licença da Seplan, Luciana Gabriel Ferreira.
Para Michele, o fenômeno é um indício de que a população, de alguma maneira, vem tentando resgatar suas raízes culturais, além de buscar novas oportunidades para estreitar laços com amigos, familiares e vizinhos sem que seja necessário gastar muito por isso. "Infelizmente, faltam opções de lazer gratuito e de baixo custo em Bauru. E as festas juninas são comemorações populares, de que qualquer pessoa pode participar", destaca.
Eventos ganham espaço e garantem
renda extra a entidades assistenciais
Além de aquecer a economia informal, as festas juninas também beneficiam dezenas de entidades assistenciais em Bauru. Em suas comemorações, igrejas, universidades, empresas, órgãos públicos e condomínios residenciais costumam abrir espaço para que instituições sociais montem suas barracas para oferecer todo tipo de produto - de pastel a bolo de fubá. Assim, elas ganham uma oportunidade para arrecadar fundos e garantir a manutenção das suas atividades ao longo do ano.
Um dos maiores exemplos desta junção entre solidariedade e diversão ocorre no próximo final de semana, quando os órgãos públicos federais promoverão seu arraiá, que terá como convidadas 22 entidades de Bauru. "Com o que é arrecadado, algumas instituições conseguem manter em dia a folha de pagamento de funcionários, ou garantir uma reserva para o pagamento do 13º salário ou ainda a alimentação dos atendidos", enumera Edemilson Arias Pinotti, presidente da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Social (Aeaps) de Bauru.
Da mesma forma, segundo destaca o padre Marcos Pavan, as quermesses realizadas pelas paróquias também têm como objetivo - além de promover a confraternização entre os fiéis e celebrar os dias dos santos Antônio, João e Pedro - arrecadar fundos para a manutenção dos templos. "Algumas comunidades utilizam estes recursos durante todo o ano. A arrecadação é significativa principalmente para aquelas que promovem festas maiores por terem um dos três santos como padroeiros", revela.