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Namorada de Zambonaro se mata em casa

Mariana Cerigatto e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Tragédia em série: no mesmo dia em que o agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves, 37 anos, foi encontrado morto na penitenciária de Tremembé, sua namorada, Wanessa Camargo Stetic, 34 anos, cometeu suicídio em sua própria casa, em Bauru, após saber da morte do companheiro.

Segundo o JC divulgou na edição de ontem, Zambonaro se suicidou no início da tarde de anteontem, exatamente um ano e 11 dias depois de matar os comerciantes José Mendes, 72 anos, e Maurício Yamanoi, 41 anos - dono do bar Japa Lalá. Na época, o crime chocou a cidade.

Conforme apurado pela reportagem, Wanessa teria cometido suicídio horas depois da morte de Zambonaro, no início da noite de anteontem. Ambos utilizaram o mesmo recurso - uma forca feita com roupa de cama - para se matar.

Segundo informações de parentes e do advogado da família, Luiz Celso de Barros, Zambonaro foi encontrado inconsciente, mas ainda vivo, dentro da cela onde permanecia preso desde junho do ano passado, na Penitenciária 2 de Tremembé. Ele chegou a ser levado ao Pronto-Socorro da cidade vizinha Tatuapé, mas sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

Ligados a este caso, cinco pessoas já morreram. Além dos comerciantes assassinados e do próprio agente penitenciário, Érika Dourado Dimampera, 36 anos, faleceu menos de um ano após o crime. Ela era ex-esposa do comerciante Yamanoi.

De forma repentina, Érika foi acometida por um acidente vascular cerebral (AVC). A família acredita que o assassinato do comerciante tenha colaborado para a morte da mulher, ocorrida em março deste ano.

Anteontem, a vida da namorada de Zambonaro também terminou de forma drástica, transformando-a na quinta vítima de uma tragédia que abalou várias famílias.

Ela foi encontrada por parentes, enforcada no quintal de sua casa, no bairro Monlevade, na manhã de ontem. Para se matar, amarrou no pescoço uma colcha de cama. A outra parte do pano teria sido atada a uma viga.

Separação x visita


A família de Wanessa diz que ela estava separada há mais de um ano de Zambonaro e não tinha mais contato com ele. Por isso, seus familiares, assim como vizinhos, não relacionam o suicídio da mulher - que sofria de depressão - com a morte do agente.

"Ela já tinha problemas com depressão há algum tempo e fazia tratamento psicológico. Ela namorou Zambonaro, mas mesmo antes dele cometer o assassinato, eles já estavam separados e não tiveram mais contato", disse um dos familiares, que pediu para ter seu nome preservado.

Contudo, conforme relatos da família de Zambonaro publicados na edição de ontem do JC, Wanessa fez uma visita ao agente na penitenciária, no último domingo.

"Ela esteve lá no último fim de semana (no presídio) e o Alexandre estava bem arredio, lento no raciocínio e falando muito pouco. A mãe o visitou no último Dia das Mães (8 de maio) e percebeu a mesma coisa", comentou o primo Flávio Zambonato.

Apesar dos familiares da moça negarem envolvimento recente dela com Alexandre Zambonaro, admitiram que ela chegou a avisar um tio assim que soube do suicídio.

"Ela me ligou, já era tarde da noite, mas estava falando normalmente. Só disse que ficou sabendo da morte do ex-namorado. Eu disse para ela não ficar pensando nisso, para tirar isso da cabeça, mas ela parecia estar calma", comentou o familiar.

"Eles não estavam mais juntos há muito tempo, tanto que ela nem estava em Bauru quando o Zambonaro cometeu o assassinato", salientou um parente.

Até o final da noite de ontem, Wanessa era velada no Centro Velatório Terra Branca. O sepultamento será realizado às 14h30 de hoje, no cemitério Jardim Redentor. O corpo de Zambonaro, que chegou a Bauru ontem à noite, é velado no Centro Velatório São Vicente até a manhã de hoje. O enterro está previsto para as 9h, mas até o fechamento desta edição não havia confirmação do local.

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Suicídio combinado?


A Polícia Civil não descarta a hipótese de que Alexandre Zambonaro Gonçalves e a namorada possam ter combinado cometer suicídio no mesmo dia. Conforme um primo de Wanessa teria relatado a pessoas próximas, em visitas da moça na Penitenciária de Tremembé o agente penitenciário, inclusive, teria ensinado a ela como preparar o nó para o enforcamento.

"Ela teria contado que o Alexandre não estava mais aguentando a vida na prisão e ela também teria dito que não suportava mais ficar sem ele aqui fora. Ele teria ensinado a fazer o nó no lençol e ela aprendeu. Na última vez em que estiveram juntos (no último domingo), teriam combinado o dia para se matar", relata um conhecido, que preferiu não se identificar.

Entretanto, o delegado seccional da Polícia Civil de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirma que somente as investigações poderão confirmar a informação. "Ainda não há nada de concreto a este respeito. Mas tudo será devidamente apurado no inquérito policial", observa.

Segundo acreditam familiares e vizinhos, Wanessa Camargo Stetic teria se suicidado já no final da noite de anteontem. Ela morava com a avó, uma senhora de mais de 80 anos. De acordo com vizinhos da vítima, logo no início da manhã de ontem a empregada chegou na casa, mas não conseguiu entrar, pois ela chamava pela vítima e não era atendida.

"A avó não podia sair da cama, então, quem sempre abria o portão para a empregada era a neta (a vítima). Mas nesse dia ela não abriu. Então, uma pessoa da família que tinha as chaves da casa foi chamada. Ela entrou com a empregada e se deparou com a moça enforcada no quintal", relatou uma das vizinhas.

"O corpo dela estava muito duro, esticado. Por isso, acho que ela já tinha se matado desde a noite de ontem (anteontem)", comentou outra conhecida.

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Depressão


Apesar de fazer acompanhamento psicológico, Wanessa apresentava um quadro bastante depressivo, segundo relatos de familiares. "Ela era muito fechada, vivia desestimulada, não trabalhava. Ela queria fazer faculdade, mas a depressão atrapalhava", ressaltou um parente.

A vizinhança tinha contato com a moça e relata ter tentado colaborar para a recuperação dela. "Eu tentava ajudá-la, levar na igreja, mas ela não conseguia continuar as atividades", disse a colega Maria Aparecida Ferreira.

"Ela tinha poucas amizades, ficava muito tempo somente em casa, trancada no quarto. Foi um choque para nós saber do suicídio dela", lamentou a dona de casa Antônia Aparecida Parrella, 58 anos, também vizinha.

A mãe da vítima mora no Rio de Janeiro, mas vinha periodicamente a Bauru para ficar com a filha. "Ela era muito fechada. Nunca tinha comentado que tinha a intenção de um dia se matar. A gente não esperava isso", lamentou um tio da moça.

A vítima apresentava um comportamento depressivo, assim como Zambonaro. Acometido por transtornos psiquiátricos durante toda a adolescência e vida adulta, o agente teria apresentado comportamento alterado nas últimas semanas, conforme relataram familiares que o visitaram recentemente em Tremembé.

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Ex-agente morreu enforcado com lençol


No final da manhã de ontem, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirmou que Alexandre Zambonaro Gonçalves se enforcou com um lençol dentro da cela onde permaneceu preso durante um ano, na Penitenciária 2 de Tremembé. Ele teria amarrado o pano na janela do banheiro do alojamento para cometer o suicídio.

Ainda de acordo com nota da SAP, no dia anterior à morte, ele recebeu a visita de um oficial de Justiça, quando foi informado de que seu caso seria julgado através de júri popular.

Conforme divulgou o JC, na manhã do dia seguinte o preso teria sofrido uma crise e, bastante agitado, recebido atendimento psicológico. Por volta das 14h30, foi encontrado enforcado por outro detento.

A nota da secretaria informou que Zambonaro foi socorrido por colegas da cela e funcionários do presídio providenciaram sua transferência ao Pronto-Atendimento Municipal de Tremembé, onde morreu.

A SAP confirma ainda, conforme publicado na edição de ontem, que o agente penitenciário já havia tentado suicídio outras vezes dentro do complexo. Por conta dos transtornos psiquiátricos que o acometiam, ele vinha sendo submetido a acompanhamento psiquiátrico e psicológico na prisão e tomava medicamentos de uso controlado. Zambonaro dividia uma cela com outros quatro detentos.

Em julho do ano passado, o advogado do réu, Luiz Celso de Barros, chegou a requerer a realização de exame de sanidade mental para seu cliente. A intenção era verificar sob efeito de quais condições psicológicas Zambonaro teria atirado e matado os dois comerciantes. Mas, em novembro, Barros acabou desistindo do pedido.

"O Alexandre pediu para que eu retirasse a solicitação. Se a higidez (insanidade) mental fosse confirmada, ainda naquele ano ele poderia ser transferido para um manicômio ou hospital psiquiátrico, onde o acompanhamento da ingestão de medicamentos seria mais rigoroso", analisa.

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