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Festas juninas - origem

Zilda Palloni Somense
| Tempo de leitura: 3 min

Observamos nesta data uma movimentação, nas igrejas, escolas clubes, associações em casas e sítios, preparações de Festas Juninas. Mas reflitamos: será que estamos preservando nossas raízes culturais? Será que os brasileiros conhecem, de fato, a formação nossas raízes? Que povos as formam? Desde quando comemoramos estas festas que nos dão identidade cultural?  Sobre estas questões que agora vamos discutir. Um primeiro ponto a ser analisado é a origem, pois as Festas Juninas eram feitas desde os tempos primitivos da Europa do Norte - fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o Solstício de Verão: o "Midsummer" (24 de junho) que se tornou, pouco a pouco na Idade Média, proibidas devido ao seu teor nada cristão, pois se faziam oferendas aos deuses e deusas, esta festa se iniciava no dia 21 de Junho uma celebração do Solstício de Verão,  não esqueçamos que no hemisfério Sul é o início do Inverno. Outro ponto importante é da maneira em que estas festas foram colocadas no  calendário brasileiro, pela mão dos portugueses, notadamente a partir de 1808, com a vinda da família real portuguesa, porém seguindo o calendário europeu, inicia-se o Solstício de Inverno, época das colheitas, principalmente a do milho, este ciclo inicia-se em 03 de Junho e finda em 29 do mesmo mês, é o afastamento da terra em seu movimento de translação em volta do sol, os dias mais frios do ano, cujo ápice  fica em 23 de Junho - o dia mais longo do ano. Porém estas festas chegaram ao Brasil como festas cristãs, comemorando-se três santos católicos: Santo Antonio, no dia 13 de Junho, santo muito querido em Portugal- nosso país colonizador - pois português de nascimento, tendo nascido na cidade de Lisboa em 1195, é mais popular entre nós com "Santo Antônio de Pádua" ? cidade italiana ? pois foi lá que teve sua última residência e onde atualmente se encontram para veneração, suas relíquias. Ao ser batizado, ainda criança, recebeu o nome de "Fernando". Viria a ser chamado de "Antônio" somente mais tarde, quando ingressou na Ordem dos Frades Menores por devoção ao patriarca dos monges, Antão, que era o titular da capela onde recebeu o hábito franciscano, considerado o ?doutor da Igreja? por tamanha sabedoria e protetor dos namorados e santo casamenteiro na cultura popular brasileira. João Batista, no dia 24 de Junho, santo muito importante para o Cristianismo, já que é o precursor de Jesus, aquele que o anunciou no deserto e São Pedro, no dia 29 de Junho, aquele que depois de ter negado o Cristo, foi encarregado de fundar a Igreja Católica, tendo sido seu primeiro Papa e que na cultura popular brasileira é o porteiro do Céu. Estas mudanças aconteceram devido a influência da religião Cristã Católica, a única instituição  religiosa da Idade Média, responsável pela educação e fé dos europeus. E hoje realizamos Festas Juninas com muita influência de outras culturas, como norte americana, com bebidas, comidas e danças não típicas, como é o caso de se beber refrigerante ou vinho quente e comer hot dog, dançar country ao invés de quadrilha ou forró. baião, vanerão ou mesmo catira. Sendo festas de origem rural, tanto na Europa como no Brasil, é correto saborear os produtos da terra, como bolo de milho, pipoca, quentão, paçoca, bolo de mandioca, entre outros. Estamos cada vez mais perdendo nossa raízes culturais por falta até de conhecê-las e valorizá-las. É necessário resgatá-las e se ainda assim ocorrer mudanças na maneira de comemorá-las que sejam feitas por nós brasileiros, com consciência e não impostas por uma cultura dominante. Reflita caro leitor, corremos o risco de perder nossas raízes culturais quando ao invés de realizarmos Festas Juninas fizermos destas de Halloween?

A autora, Zilda Palloni Somense, é professora de História, colaboradora do opinião

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