Rabat - Cerca de 70% dos eleitores marroquinos votaram ontem no referendo sobre as mudanças constitucionais propostas pelo rei Mohammed 6º, de acordo com a agência oficial de notícias do país.
O percentual é bem superior ao verificado nas últimas eleições municipais "que registraram comparecimento de 52%, dois anos atrás" e frustra os líderes oposicionistas, que haviam convocado boicote ao pleito por considerar as reformas insuficientes.
O governo vê a grande participação dos eleitores como um sinal de que a proposta do rei será aprovada. Há a expectativa de que resultados preliminares sejam divulgados ainda ontem à noite.
Mohammed 6º ordenou a revisão da Constituição como uma tentativa de aplacar os protestos no país, na esteira da onda de revoltas que, no mundo árabe, derrubou o ditador da Tunísia, Ben Ali, em janeiro e o do Egito, Hosni Mubarak, no mês seguinte.
A nova Carta, revisada por um comitê convocado por ordem do rei, concede poderes executivos ao premiê e permite que ele escolha embaixadores, ministros e governadores de província. O primeiro-ministro passará a ter também o poder de dissolver a câmara baixa do Parlamento.
O monarca, porém, manterá o controle nos campos militar e religioso. Também caberá a ele escolher o premiê entre os integrantes do partido que vencer o pleito parlamentar e tanto a dissolução da câmara baixa quanto a escolha dos governadores terão de ser aprovadas por ele.