Geral

Bolsão convida Bauru a doar materiais

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

A partir de hoje, a solidariedade pode ser exercida de outra forma em Bauru: ajudar a construir moradias a famílias de baixas rendas. É o projeto sustentável Bolsão de Materiais da Construção Civil, que foi lançado oficialmente na segunda edição da Feira Integrada do Meio Ambiente (Fimab) e no 1º Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco), que terminaram ontem com sucesso de público e resultados.

O Bolsão, que é uma iniciativa do Sindicato da Construção do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da Prefeitura de Bauru, com o apoio do Jornal da Cidade e da 96 FM, objetiva "limpar" a cidade com a doação da grande quantidade de materiais que sobram em cada obra civil e, com isso, ajudar pessoas carentes.

O diretor da Regional de Bauru do SindusCon, Renato Parreira, afirma que, "em quase toda esquina de Bauru, é possível ver um pouco de material de construção que sobrou. E esse material muitas vezes é jogado como entulho".

Além do desperdício desses itens, ele explica que outro grande problema é gerado na cidade. "Todo esse material acaba indo para um bolsão aberto que, segundo a lei, será extinto em 2014. Nossa proposta é desafogar o aterro e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas com esses material que acabam sobrando", completa.

E esses materiais são muitos. Na lista do que é possível doar estão areia, pedras, tijolos, telhas, alambrados, madeiras, pisos cerâmicos, tintas, canos, portas, batentes, janelas, peças sanitárias, barras de ferro, tacos, azulejos, entre outros.

O local de funcionamento do Bolsão da construção já está definido. O "depósito" de coleta e distribuição funcionará no almoxarifado da prefeitura, que fica na quadra 1 da avenida Engenheiro Hélio Police, no Jardim Redentor.

"É importante deixar claro que não queremos entulho. Nosso foco são materiais que sobrem das construções e estejam novos ou em bom estado para poderem ser reutilizados em outras obras. Depois, a Sebes (Secretaria do Bem-Estar Social) e a Defesa Civil de Bauru irão distribuir esse material a entidades ou construções regularizadas de famílias de baixa renda", completa o diretor do SindusCon.

Como doar?

Por enquanto, há dois meios de a população ou construtoras fazerem as doações. O primeiro é levar o material diretamente no local definido como o depósito do Bolsão da construção.

A outra maneira é acionar a prefeitura por meio dos telefones (14) 3223-2009 e (14) 3223-1998, que começam a funcionar hoje, para que o órgão faça a coleta do material. "A pessoa pode ligar e agendar o recolhimento. Nós vamos analisar como e quando vamos fazer isso. Precisamos traçar um cronograma e delimitar a partir de qual quantidade iremos buscar", explica o titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said. Para ele, a expectativa é de que o projeto consiga suprir o papel que, por vezes, é difícil de ser cumprido pelo órgão público. "Para a prefeitura comprar material é algo difícil. Tem toda a burocracia que dificulta e faz com que isso demore. Iremos continuar fazendo nossa parte, porém, esse bolsão será um canal de armazenamento e distribuição que vai ajudar a nós e a muitas pessoas", conclui Said.

Orientações

O Bolsão da construção começa a funcionar hoje. A população e as construtoras podem levar o material na quadra 1 da avenida Engenheiro Hélio Police, no Jardim Redentor ou ligar nos telefones (14) 3223-2009 e (14) 3223-1998 para agendar a coleta.

O projeto foi lançado no Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) e a Feira Integrada do Meio Ambiente de Bauru (Fimab), eventos ambientais realizados no último fim de semana pela Sabesp, CGR Centro Oeste, Jornal da Cidade, Rádio 96 FM, Prefeitura de Bauru e Semma. Patrocinam a Festieco e a Fimab, a Sabesp, CPFL, USC, Ajax, Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) e Cral.


Problemas na cidade

Segundo estudos divulgados pelo SindusCon, as sobras de construção representam entre 50% e 70% do volume total dos resíduos sólidos urbanos que são destinados sem uso em Bauru. Além disso, esses materiais trazem outros problemas a Bauru.

O titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said, explica que muitos materiais criam dificuldades, e de diferentes formas. "Vemos em vários lugares que pedras e areia ficam depositadas sobre as guias, atrapalhando a circulação das pessoas. Muito desse material, quando chove, vai parar na rede de esgoto e causando outros problemas. Por isso, é fundamental que sejam descartados de forma correta".


____________________

Fimab alerta para deficiência no descarte do lixo eletrônico

E se a questão da construção civil parece caminhar para soluções sustentáveis, outro ponto é preocupante: o que fazer com o computador antigo ou aquela geladeira que fora substituída? O tema foi abordado ontem na segunda edição da Feira Integrada do Meio Ambiente (Fimab) e no 1º Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) com palestra proferida pelo tesoureiro do instituto Repensar e proprietário da empresa Lixo Digital, ambos de Itatiba, Reinaldo Serrano.

Para o palestrante, Bauru ainda está sem solução para o problema. Ele explica que a população não conta com opções de descarte do lixo eletrônico de forma correta. "Falta empresa especializada em reciclar esse material. E ocorre isso porque a mão-de-obra e a logística, como o transporte, são caros. Assim, quem quiser fazer o descarte adequado precisa procurar um local na região que aceite esse material e muitas vezes levá-lo até lá".

Em Itatiba, cidade de 100 mil habitantes, ele afirma que são recolhidos semanalmente cerca de 70% do que é descartado, o que equivale a uma tonelada. Se a mesma proporção for traçada a Bauru, esse número chegaria a algo em torno de 3,4 toneladas por semana.

Reinaldo Serrano, que tem seu trabalho baseado no recolhimento para reaproveitamento de materiais tecnológicos, ainda explica que a cada dez computadores que são recolhidos, monta-se um em boas condições de uso.

"Essas máquinas reaproveitadas são passadas em comodato para entidades. Quando apresentam problemas, elas nos devolvem. Na "Lixo Digital" a maioria dos computadores e outros equipamentos são feitos a partir da reciclagem", informa, segurando seus dois celulares, que foram confeccionados dessa maneira.

Para o palestrante, entretanto, conforme o lixo digital cresce ? com o aumento do poder aquisitivo da população ? também aumenta o número de empresas que fazem a reciclagem e reaproveitamento, o que abre um panorama de certa forma positivo. "O meu objetivo é vir para Bauru. Quero conversar com a prefeitura para fazer campanhas do Instituto aqui na cidade e conscientizar as pessoas. Também pretendo abrir uma franquia da minha empresa aqui", finaliza Reinaldo Serrano.


? Serviço

O Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) e a Feira Integrada do Meio Ambiente de Bauru (Fimab) terminaram ontem, no Recinto Mello Moraes.Os eventos ambientais foram realizados pela Sabesp, CGR Centro Oeste, Jornal da Cidade, Rádio 96 FM, Prefeitura de Bauru e Semma. Patrocinam a Festieco e a Fimab, a Sabesp, CPFL, USC, Ajax, Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) e Cral.

Comentários

Comentários