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Profissão: saída para ?vida bandida?

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A unidade da Fundação Casa em Bauru formou mais 54 meninos em cursos de profissionalização em parceria com o Centro Paula Souza. Na cabeça dos formandos à espera do diploma, certamente passou a certeza de novas perspectivas. Deixar as calças de cor cáqui, a cabeça raspada e a visão de muros por todos os lados.

Um jovem do grupo de formandos conta que já passou três aniversários na Fundação. "Não quero mais essa vida. Quero retomar minha vida arrumando um emprego decente", afirma, convicto, o rapaz de 19 anos.

Um trunfo importante para ele é o apoio de sua mãe, presente à formatura no mês passado. Ela comenta que sonha em ajudar o filho quando ele estiver em liberdade para que a vida da família retorne à normalidade.

É a segunda passagem do jovem pela Casa. Ele comenta que ao sair, após a primeira internação, teve oportunidades de dar um rumo diferente à vida, mas "não quis correr atrás". A história dele é muito parecida com a de muitos que cumprem a medida socioeducativa de restrição de liberdade. Companhias erradas, pequenos delitos e roubos, até "rodar".

Demonstrando maturidade, o jovem conta que os amigos que tinha no mundo da criminalidade desapareceram. Restaram os familiares e os educadores da Fundação Casa. Além do ensino profissionalizante, ele retomou os estudos escolares, pratica esporte, como o basquete, faz teatro, aprendeu ponto cruz e artesanato. Quando sair, pretende colocar em prática o aprendizado que obteve no curso de elétrica residencial básica, e ainda tem a opção no segmento de gastronomia com a formação de pizzaiolo.

Opções para o futuro


Além dessas duas opções, os 88 internos em Bauru contam com os cursos de lancheteria, auxiliar de desenhista de móveis, organizador de eventos, web designer, cozinha regional brasileira, cozinheiro auxiliar, jardinagem, colocação de pisos e azulejos, informática básica e pequenos reparos.

Outro formando da turma faz planos como pizzaiolo para quando sair da Fundação. Ele conta que enveredou para o tráfico de drogas em um momento de fraqueza quando subitamente sua mãe faleceu, deixando, além dele com 17 anos, um irmão com apenas 1 ano e mais duas irmãs, de 13 e 18 anos.

"Era a pessoa mais essencial", define o jovem, ao mencionar a importância da mãe. Ele comenta que no dia seguinte à sua detenção, teria uma entrevista para uma vaga em um supermercado em Bauru. Acrescenta que já trabalhava e havia feito cursos, como o de almoxarifado. Na Fundação Casa aproveitou, além do curso de pizzaiolo, para se formar como auxiliar de desenhista de móveis.

A diretora da unidade de Bauru da Fundação, Silvana Regina Matos Yonashiro, destaca que os meninos que se formam, ao sair da instituição, podem concorrer a vagas no Emprega São Paulo e Primeiro Emprego, além do recrutamento de empregadores.

Silvana comenta que a Fundação atua na reinserção do adolescente e jovem na sociedade. A equipe lida com as perdas dos internos, além de seguir as diretrizes da instituição com a formação escolar e a educação cultural e profissionalizante. "Aqui eles criam referências e vínculos que servem como exemplo", define.

No ano passado a unidade de Bauru teve 32 turmas, cada uma integrada por 10 a 12 alunos, em cursos profissionalizantes na parceria com o Centro Paula Souza.

Os cursos foram ministrados durante três meses, entre abril e junho, com duas aulas semanais de 1h30 de duração cada e coordenadas por profissionais qualificados do Paula Souza. Desde o início da parceria da Fundação Casa com o Centro, firmada em dezembro de 2010, cerca de 3,2 mil adolescentes foram atendidos em todo o Estado, com quase 320 cursos de qualificação profissional básica.

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