Política

Problema no software afeta leituras do DAE

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Os problemas apresentados na leitura de consumo de água na última segunda-feira foram motivados por problemas no software da empresa contratada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para locação dos aparelhos. A informação foi dada pelas diretorias do Serviço de Informática e da Divisão Financeira da autarquia municipal ontem. A explicação, porém, é de que foi pequena a abrangência das residências da Bela Vista que não tiveram suas contas impressas in loco pelos leituristas e que os defeitos não ocorreram nos testes realizados antes da execução do serviço, retomado no início dessa semana.

Desde que anuncio o fim do contrato com os Correios, de leitura com entrega simultânea das contas, o DAE ainda não conseguiu realizar as aferições de consumo. As contas estão sendo lançadas pela média de consumo há nos últimos meses.

Segundo o diretor de informática do DAE, Daniel Garcia, o software alugado junto aos equipamentos de leitura é compatível aos aparelhos. No entanto, algumas adequações e alterações são necessárias para a medição de consumo em residências com situações específicas de cobrança, como é o caso dos munícipes que possuem acordos de parcelamento de dívidas junto à autarquia municipal. "No geral, o serviço foi bem executado. Alguns imprevistos aconteceram em casos muito peculiares de parcelamento. Ao todo, são mais de 100 situações diferentes de cobranças", explicou.

Garcia admite que o DAE não contava com esses problemas a partir do início da execução dos trabalhos pelos leituristas da empresa pública, três meses depois das cobranças de água terem sido feitas pela média de consumo de períodos anteriores, em razão do fim do contrato com os Correio. "Nós passamos para a empresa contratada todas as informações necessárias. Os engenheiros tiveram e têm todas as regras, mas houve algum problema que nós ainda não sabemos exatamente qual foi", afirmou.

Isso porque o diretor de Informática da empresa garante que todas as possibilidades de medição de consumo para expedição e impressão das contas foram testadas internamente por 20 dias antes que os leituristas fossem a campo. "Nos testes, os problemas não foram constatados, mas apareceram na execução do serviço. Enviamos o ocorrido à empresa, que vai encontrar a solução", apontou Daniel Garcia.

A expectativa do DAE era de que o problema fosse sanado até o final da tarde de ontem para que, no início da manhã de hoje, os leituristas já pudessem medir o consumo e entregar as contas nas residências onde o serviço ficou pendente na última segunda-feira. "Esperamos também um relatório da empresa proprietária dos aparelhos e do software apontando o que motivou o problema detectado", disse o diretor de informática.

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DAE nega prejuízos nos serviços


Walker Hojas Petinuci, responsável pela Diretoria Financeira do DAE, minimizou o caso e garantiu que os problemas na medição do consumo para impressão das contas de água foram constatados em apenas 3% das 4 mil leituras realizadas no dia 11 de julho. No entanto, leituristas que preferem não se identificar afirmaram a reportagem do JC que a abrangência do problema é bem maior do que assumido pela diretoria da autarquia municipal.

Além disso, Petinuci pontua que o DAE não sofrerá prejuízos em razão do problema ocorrido com o software utilizado para a leitura do consumo de água. Isso porque o diretor financeiro nega a possibilidade de que as contas que não puderam ser entregues no início da semana sejam enviadas aos imóveis pelos Correios. "Isso está fora de cogitação a não ser que algo muito fora de controle venha a acontecer. Temos acertado que essas contas serão entregues pelos próprios leituristas já amanhã [hoje]", afirmou.

Caso o DAE não consiga entregar as faturas por conta própria, o serviço sairia mais caro do que quando terceirizado para os Correios. O valor unitário por leitura feita pela autarquia custa R$ 0,93 contra R$ 1,33, que eram pagos para a estatal federal.

A retomada


No mês de março desse ano, o DAE anunciou que não renovaria o contrato de leitura e emissão de conta de água com os Correios, após cinco anos de prestação de serviço. O contrato entre a autarquia e a empresa pública foi alvo de ação popular por ter sido firmado sem realização de licitação. O governo Rodrigo Agostinho (PMDB) tentou licitar a medição e emissão de contas, mas o caso foi parar na Justiça sob a argumento dos Correios de que detinham o monopólio desse tipo de prestação de serviço.

Em abril, o DAE assinou contrato para locar aparelhos e software de medição e impressão de consumo de água pelo valor de R$ 459 mil anuais. A autarquia dispõem de 25 conjuntos de equipamento (aparelho + impressora) para cobrar o consumo mensal de cerca de 110 mil ligações de água. Além disso, a autarquia tirou do desvio de função os 22 leituristas que não executavam o serviço para o qual foram contratados mediante concurso público.

A falta de planejamento tornou a retomada do serviço uma verdadeira dor de cabeça para o DAE. A empresa atrasou a entrega dos aparelhos e o início das atividades não foi adequado, com falhas no software locado. Os leituristas também trabalharam até ontem sem uniforme, identificados apenas com o crachá. A diretoria do órgão garante que, a partir de hoje, essa situação será revertida apesar da resistência de alguns funcionários.

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