Má alimentação, questões genéticas e hormonais, estresse, obesidade. Todos esses fatores, assim como vários outros, podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de mama. A doença, porém, conta com um aliado poderoso: o medo do diagnóstico. Por conta dele, tem quem evite exames preventivos. Sem eles, a doença pode ser identificada num estágio avançado, o que dificulta tanto o tratamento quanto a cura. Mas anteontem, várias mulheres da Vila São Paulo superaram o receito e participaram de um mutirão de combate ao câncer de mama, doença que mais mata mulheres no Brasil, segundo informações do grupo Amigas do Peito de Bauru, quem promoveu a mobilização.
Conforme apontam os dados, somente 15% das pacientes conseguem identificar e começar a tratar o câncer em sua fase inicial. Isso significa que as mulheres procuram o serviço médico tardiamente, com a doença já em fase avançada.
"Muitas mulheres ficam receosas e têm medo de descobrir a doença e até de falar sobre o câncer de mama. Mas é importante salientar que ele tem cura, se for tratado desde o início", avalia a voluntária da Amigas do Peito de Bauru, Márcia Graeff. Entretanto, na manhã de anteontem, ao menos 150 mulheres superaram este "temor" e enfrentaram os exames clínicos de mama. Elas foram atendidas por meio do 4.º Mutirão da Mama, iniciativa das Amigas do Peito de Bauru, que recebeu apoio da Secretaria Municipal de Saúde e do Hospital Estadual.
Foi o caso de Kellen Canaver, de 32 anos, que admitiu certo medo em passar pelas avaliações, mas aproveitou a oportunidade de participar do mutirão. "É a primeira vez que vou fazer avaliações desse tipo. A gente sempre fica com um pouco de medo de descobrir algo. Mas a saúde é algo que deve ter prioridade na vida das pessoas, tem que se prevenir e cuidar se tiver algum problema", comentou.
Maria Lúcia Souza Rodrigues, de 48 anos, também enfrentou o medo. "Nunca tinha feito, fiquei sabendo da iniciativa e logo quis fazer. A gente não arruma tempo durante a semana para correr atrás disso e, geralmente, as consultas demoram para ocorrer".
A ação de prevenção contou com a participação de médicos mastologistas voluntários. Na ocasião, os exames foram feitos no Núcleo de Saúde da Vila São Paulo. O mesmo mutirão já havia sido realizado em bairros como Fortunato Rocha
Lima, Parque Jaraguá e Jardim Tangarás. Além dos exames de mama, foram realizados também os de papanicolau.
"Com a ação, oferecemos uma oportunidade àquelas mulheres que não conseguem reservar tempo para passar pelo médico", assinalou Márcia. Segundo ela, as mulheres que apresentassem alguma anomalia na mama seriam orientadas a procurar o Hospital Estadual.
E meio aos atendimentos, as integrantes do Grupo Amigas do Peito ensinaram a fazer o autoexame das mamas, com o uso de próteses de silicones chamada de "mama amiga".
O voluntário do grupo Rene Cardoso explicou que outra meta da iniciativa é mostrar que a família deve apoiar a mulher vitimada pela doença. "É fundamental que o marido apoie a esposa que passa por esse problema, pois ela fica fragilizada. Muitos deles acabam se distanciando num momento em que a mulher precisa de apoio. É preciso muita paciência", frisou. "O câncer de mama afeta a questão da sensualidade e a mulher que diagnosticar a doença precisa saber lidar com isso", destacou Márcia, integrante das Amigas do Peito.