Oslo - Dois atentados, ontem, na Noruega deixaram ao menos 17 mortos no país do norte da Europa. Primeiro, uma explosão destruiu uma área central que concentra prédios do governo na Capital, Oslo, inclusive um escritório do premiê. Foram ao menos sete mortos e 15 feridos. Mais tarde, um homem abriu fogo na ilha de Utoeya, a 40 km da Capital. Pelo menos outros dez morreram. Testemunhas, porém, dizem ter visto cerca de 20 corpos no local, e autoridades receiam que o número de mortos confirmados irá subir.
A polícia prendeu o suspeito do tiroteio e acredita que os ataques estejam relacionados. O homem, de 32 anos, estava disfarçado de policial e tinha um fuzil. Segundo o ministro da Justiça do país, ele é cidadão norueguês e teria uma "aparência nórdica". O mesmo homem havia sido visto mais cedo, no local das explosões de Oslo.
Até o fechamento desta edição, no entanto, não havia confirmação da autoria ou da motivação da explosão.
A princípio, o virtualmente desconhecido grupo islâmico Ansar al Jihad al Alami (Ajudantes da Jihad Global) reivindicou a responsabilidade. Mais tarde, negou.
A Noruega atua no Afeganistão, parte da Otan (aliança militar ocidental), o que poderia motivar ataques de revanche. Tudo indicava, porém, que os ataques fossem resultado de terrorismo doméstico. O premiê falou em "movimentos locais antissistema".
Barack Obama, presidente dos EUA, disse a repórteres que os acontecimentos de ontem são "um lembrete" de que o mundo tem o dever de impedir atos de terrorismo.
O primeiro-ministro Jens Stoltenberg afirmou ao canal norueguês TV2 que passa bem, mas, por recomendação da polícia, não informou sua localização exata. Ele disse, durante a entrevista, que a situação é "muito séria". A sede da TV2 foi evacuada ontem, por suspeita de que houvesse uma bomba instalada dentro no prédio.
Stoltenberg estava trabalhando de casa, na hora da explosão. O prédio em que ele tem escritório, assim como os demais edifícios próximos, tiveram as janelas quebradas pelo impacto. Os arredores ficaram repletos de destroços.
Agências de notícias relatam que um carro destruído foi visto no local, tombado, gerando suspeitas de que tenha sido veículo da bomba. A polícia diz que a explosão ocorreu às 15h20 (às 10h20, em Brasília). Há relatos de mais de uma bomba. Após os dois ataques, soldados rumaram para o centro da cidade e o evacuaram.
O local não estava movimentado, no momento da explosão. Noruegueses estão de férias, e alguns já haviam deixado o local de trabalho por conta do final de semana.
A ilha em que houve tiroteio recebia um acampamento da juventude do Partido Trabalhista, de que Stoltenberg faz parte. Era previsto que o premiê visitasse a ilha.
Um membro do partido falou por telefone com os adolescentes no local. Ele relata que alguns, assustados, tentaram nadar ao continente. Mais tarde, a polícia afirmou ter encontrado explosivos não detonados na ilha. O governo diz que esse é o evento mais violento a atingir a Noruega desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
"Incerteza"
O brasileiro Leonardo Doria, 33 anos, estava no trabalho quando ouviu uma "explosão espetacular".
Ele mora em Oslo há dez anos, e trabalha como consultor na Secretaria Nacional de Integração e Diversidade, com sede a 600 metros do local da bomba.
Passado o susto, ele e colegas foram à janela, de onde viram uma nuvem de fumaça "gigantesca".
Quando decidiu deixar o prédio, o brasileiro afirma ter rumado à casa de uma amiga, desviando durante o trajeto de outros alvos em potencial. A área central reúne uma série de edifícios do governo, além de prédios comerciais. "Estou com medo de ser estrangeiro aqui. Não sabemos o que vai acontecer. Agora, reina a incerteza", afirma.