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Governo estende ?faxina? no Dnit

Vannildo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Depois de completar a limpa no Ministério dos Transportes e fazer as substituições dos cargos vagos na cúpula do setor, o que deve acontecer até o final deste mês, o governo federal desencadeará uma devassa de alcance idêntico - ou maior - nas superintendências estaduais do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit).

Em todo o País, o Dnit tem 23 superintendências e pelo menos 15 delas, dois terços do total, apresentam problemas como corrupção, superfaturamento de obras, fraude em licitações e tráfico de influência.

Não há data para o início dessa "faxina" nas superintendências - ou reestruturação, como prefere chamar a presidente Dilma Rousseff -, mas já se sabe que deve ocorrer na sequência, em agosto, logo após o fim do recesso do Congresso e que poucos superintendentes sobreviverão.

As denúncias mais graves atingem os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, alvos de investigações no Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público, Controladoria Geral da União (CGU) e Polícia Federal.

Com a cabeça a prêmio, o superintendente do Mato Grosso, Nilton de Britto, antecipou-se aos fatos e colocou o cargo à disposição, em encontro com o ministro Paulo Sérgio Passos esta semana. Mas ele condicionou sua saída à do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que entrou de férias para não receber a ordem de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Britto explicou que é amigo de Pagot de longa data, trabalhou com ele no governo de Blairo Maggi (hoje senador do PR) até 2005 e em 2008 atuou em cargo de direção do Dnit em Brasília, assumindo a Superintendência em dezembro passado.

"Se ele (Pagot) sair eu saio junto", disse Britto. Mas há outros motivos: Britto é acusado de favorecer a empresa do irmão, o engenheiro Milton de Britto, em contratos com o órgão de cerca de mais de R$ 20 milhões nos últimos dois anos. Ele nega a acusação.

A escolha dos novos superintendentes será discutida com o futuro diretor-geral do órgão, antes de ser submetida a Dilma. Passos usará interlocutores para convencer os superintendentes a colocarem os cargos à disposição, como fez Britto.

Mas, por enquanto, na indefinição, os superintendentes em apuros ainda tentam ganhar tempo. "Continuamos trabalhando normalmente e aguardando as instruções da sede, em Brasília, e do Ministério dos Transportes", informou o superintendente do Paraná, José da Silva Tiago.

No Mato Grosso do Sul, o superintendente Marcelo Miranda Soares tem grande chance de ser substituído, embora tente ficar a todo custo. Por conta de denúncias também devem cair os superintendentes do Rio de Janeiro, Marcelo Cotrim Borges e do Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, embora não sejam filiados ao PR.

Premissas

Por orientação de Dilma, que comanda as mudanças com rédea curta, duas premissas vão nortear a troca de guarda nas superintendências. Uma é a existência de irregularidades graves em obras no Estado. A outra é o grau de ligação do superintendente com o núcleo da pasta investigado.

Pelo critério político, os seis primeiros superintendentes da lista seriam os ligados ao ex-ministro Alfredo Nascimento e a Pagot. Da cota de Nascimento, estão no paredão: Afonso Luiz Costa Lins Júnior (Amazonas e Roraima); José Lúcio Lima Machado (Bahia); Halpher Luiggi Mônaco Rosa (Espírito Santo) e João Cláudio Cordeiro da Silva Júnior (Pará e Amapá). Da lavra de Pagot, estariam de saída Nilton de Britto (Mato Grosso) e José da Silva Tiago (Paraná).

Mas a conta da degola será bem maior porque, como parte das mudanças no perfil do ministério, o PR, partido sob suspeita de aparelhar o setor e montar um esquema de arrecadação de propinas na pasta, perderá a hegemonia. Se não for varrido de vez, caso deixe a base aliada, terá de dividir o bolo com outros partidos, como PT e PMDB.

Entre os 23 superintendentes estaduais, sete são filiados de carteirinha ao PR (SP, AM, MS, PA, SE, GO E AL). Outros sete são indicados por dirigentes do partido, a quem devotam lealdade nos Estados (ES, BA, PE, TO, MT, RS, PR). Nove são independentes ou ligados ao PMDB e PT.

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