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Entrevista da Semana: Edson Francisco Celulari

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

?Carrego Bauru comigo, para sempre?


Enquanto falava ao telefone com o JC na manhã de ontem, Edson Celulari passeava com a filha Sophia no Rio de Janeiro. Mesmo ocupado com os momentos prazerosos entre pai e filha, o ator não economizou nas palavras e muito menos na simpatia e nas lembranças de seu passado de menino do Interior.

"Tive o privilégio de viver Bauru em seu sentido rural e urbano e já fui para a escola sobre uma carreta de caminhão de trabalhadores, o que era muito divertido, por sinal", lembra Edson.

Ainda criança, o ator descobriu sua vocação pelo teatro trabalhando na cantina de um colégio. No início, Edson precisou estudar teatro amador escondido do pai, que queria vê-lo doutor. "Escrevi um monólogo e o chamei para assistir. Ele me deu a opção da escolha e agradeço muito a sensibilidade e o olhar que meu pai teve sobre mim".

Aos 18 anos de idade, o galã se mudou para São Paulo com o objetivo de estudar teatro na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP). Fase de importante amadurecimento e descobertas pessoais e profissionais. "Comia pão com banana quando o dinheiro estava curto, mas naquela idade tudo era muito divertido", diz com bom humor.

Preparando para breve uma nova peça com seu sobrinho, o também bauruense Pedro Garcia Netto, Edson fala sobre a importância da volta do Teatro Municipal de Bauru e diz que quer vir à cidade quando este estiver revitalizado. Esses e muitos outros assuntos você confere a seguir.

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Jornal da Cidade - Levantamento feito pelo JC recentemente mostra que você é a personalidade brasileira com vínculos bauruenses que as pessoas mais admiram. Quais são seus laços com Bauru atualmente?

Edson Francisco Celulari - Minha mãe mora na cidade e meu maior vínculo é com ela, mas tenho alguns tios, tias e primos, também. Já faz algum tempo que não vou a Bauru. Mas é uma memória presente e constante. Carrego Bauru comigo, sempre.

JC - Aqui você viveu toda a sua infância e praticamente toda a adolescência. Quais são as lembranças de menino do Interior?

Edson - É engraçado porque eu tive o privilégio de viver Bauru em seu sentido rural e urbano. Como eu morei próximo ao Instituto Penal Agrícola, onde meu pai era funcionário, até os meus 11 ou 12 anos de idade, eu vivi muito na zona rural. Inclusive ia para a escola em cima de um caminhão de transporte de trabalhadores, o que era muito divertido, por sinal. Depois nos mudamos a cidade, onde minha mãe mora até hoje, na região da Capitão Gomes Duarte.

JC - Algo deixou saudade?

Edson -Foi em Bauru que eu descobri minha vocação artística. Eu trabalhava na cantina do colégio Moraes Pacheco, onde meu pai arrendou um espaço e, por um acaso, a cantina era um dos camarins do teatro da escola. Eu trabalhava de manhã, estudava à tarde e, toda a vez que eu precisava chegar até a cantina, passava pelo palco e pela plateia. Foi então que eu comecei a imitar o que via no palco e percebi que gostava muito de representar, contar histórias... Essa é uma boa memória que eu trago. A necessidade de trabalhar cedo me deu a oportunidade de conhecer o teatro fisicamente.

JC - Você foi um menino comportado ou levado e "aventureiro"?

Edson - Olha, acho que fui um misto disso tudo. Era um bom aluno na maior parte do tempo mas, graças a Deus, não o tempo todo (risos). Fui levado pelo interesse do desafio a ordem e acho que isso é saudável quando bem intencionado. O não certo é muito bom.

JC - A educação que você recebeu de seus pais é diferente da que você passa a seus filhos?

Edson - Com certeza é diferente porque nada se repete. Mas eu espero muito que eles obtenham os mesmos bons resultados que eu obtive como filho. E isso precisa ser de mim e da mãe, porque educação também não é uma coisa só de pai ou só de mãe, e sim de uma dupla. Eu recebi somente coisas boas de meus pais.

JC - Você chegou a fazer teatro com o Paulo Neves?

Edson - Sim, com ele e no Dante Alighieri, onde também encontrei pessoas queridas. No Prevê eu participei de um grupo de teatro amador onde fiz uma peça cujo título traduzido significa "errar é humano", um ótimo título para quem está começando a vida artística, certo!? (risos)

JC - A mudança para São Paulo foi já para estudar teatro?

Edson - Não. Primeiro eu fui aos 15 anos para cursar o que hoje seria o primeiro ano do ensino médio. Depois eu voltei a Bauru para fazer o último ano no Prevê e, aos 17 para 18nos, voltei para São Paulo já com o objetivo de cursar a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP).

JC - Imagino que os primeiros anos longe da família foram de desafios e amadurecimento.

Edson - Sem dúvida. No início eu morei com uma tia e trabalhei em uma padaria, o que me proporcionou um bom contato com as pessoas. Eu atendia no balcão e fazia brincadeiras com as pessoas. Quando fui para a escola precisei morar sozinho e a me virar mesmo. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Não posso dizer que passei por dificuldades. Comia pão com banana quando o dinheiro estava curto, mas naquela idade tudo era muito divertido e também acontecia as mesmas coisas com os amigos.

JC - A carreira de ator teve influências da família?

Edson - Não. Minha família não teve nenhum outro artista antes de mim. O engraçado é que fui para a Itália há alguns meses em busca de familiares, coisa que duas ou três gerações tentaram e não conseguiram. Por acaso eu consegui encontrar o que buscava em uma pequena cidade ao Sul de Roma. Só por curiosidade eu perguntei se tinha algum artista e, para minha frustração, ninguém (risos).

JC - Se não fosse ator, que profissão teria o Edson Celulari?

Edson - Eu sei lá, jornalista do Jornal da Cidade, talvez (risos). Eu gosto muito do ofício de professor, só não sei se teria talento para outras coisas.

JC - Contou com o apoio familiar desde o início da carreira?

Edson - Eu fazia teatro amador escondido do meu pai porque ele queria que eu tivesse um diploma de doutor. Então escrevi um monólogo e o chamei para assistir. Ele era um homem que trabalhava muito, pensava o tempo todo em educar os filhos e não aprovava essa coisa do teatro. Mas quando ele me viu encenando o monólogo, disse que eu levava jeito para a arte e perguntou se existia escola para ator. Também me disse que prestaria vestibular para engenharia, odontologia e teatro e, depois, escolheria. Acredito que se ele não tivesse me apoiado, eu não teria seguido essa carreira. Agradeço muito a sensibilidade e o olhar que meu pai teve sobre mim.

JC - Quais são os seus novos trabalhos?

Edson - Estou ensaiando uma nova peça com meu sobrinho, também de Bauru, o Pedro Garcia Netto, que está fazendo a novela "Insensato Coração". O nome da peça é "Nem um dia se passa sem notícias suas". A estreia será no começo de setembro no Teatro Leblon, no Rio. A história fala de perdas e laços familiares e Bauru está sempre presente em nossas memórias emotivas na hora dos ensaios. Também tem a próxima novela do João Emanuel Carneiro, para o ano que vem.

JC - Sem dúvida você é um dos galãs mais queridos da TV brasileira. Como lida com essa questão e com o assédio das fãs?

Edson - Lido com naturalidade. Eu não faço o que faço para ser uma celebridade, mas é um trabalho que me expõe e isso repercute de forma popular. Há pessoas que comentam do meu trabalho e outras que apenas enxergam a figura do ator que é bonito, o que é natural. Eu atendo todos os fãs com carinho, mas é claro que às vezes a gente tem pressa, porém tive problemas com isso. Eu vejo, às vezes, pessoas querendo seguir esse caminho para serem conhecidas. Acredito que cada um deve fazer a sua escolha profissional para se encontrar e contribuir de alguma maneira com o seu coletivo e não para se destacar e ser conhecido, porque isso é vazio.

JC - Quando você volta a Bauru?

Edson - Minha mãe vem para o Rio ver a nova peça e depois já emendo esse trabalho com a novela, por isso não tenho uma previsão de quando voltarei. Mas eu tenho o maior carinho e fiquei muito feliz com o meu nome no teatro do Prevê. Mas soube que o Teatro Municipal está fechado e isso me entristeceu. Quando ele (Teatro Municipal) foi inaugurado, eu pude apresentar meu trabalho na cidade. Deixo aqui meu pedido para o governo atual que, assim que o Teatro estiver com boa manutenção e em funcionamento, eu quero levar meu novo projeto para Bauru. Espero que isso aconteça em breve. Uma cidade com um teatro ou com teatros ativos é muito mais dinâmica e mais feliz do que um município sem essa estrutura.

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Perfil


Nome: Edson Francisco Celulari

Idade: 53 anos

Local de Nascimento: Bauru/SP

Signo: Peixes

Filhos: Enzo e Sophia

Hobby: Tênis de mesa e stand up surf

Livro de cabeceira: "Pilares da Terra", de Ken Follet

Filme preferido: Gosto do neo-realismo italiano

Estilo musical predileto: Jazz

Time: Noroeste, Palmeiras e Botafogo, nesta ordem

Para quem dá nota 10: Para minha mãe, que pela força de vontade conseguiu mudar os hábitos alimentares e cuidar da saúde

Para quem dá nota 0: Aos maus políticos que pensam apenas em si e deixam o coletivo de lado

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