Tribuna do Leitor

Parabéns, nossa terra branca!


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Como bauruense, me considero impedido de festejar essa data pela grandeza que essa cidade já foi no passado e hoje o que se vê é um povo na linha da exclusão social. Apenas vamos aqui recordar o que Bauru já representou para os bauruenses e para a região nas décadas 40, 50, 60, 70, épocas em que o carro-chefe da economia do país era o café.

A implantação da Estrada de Ferro Noroeste deu-se em 1904, a chegada da Estrada Sorocabana em 1905 e a Companhia Paulista de Estrada de Ferro em 1910, formando o maior sistema ferroviário integrado de carga e passageiros da América Latina.

Ocasião em que a mão de obra dos ne-gros da lavoura foi substituída pelas colônias imigratórias recém-chegada ao Brasil, na qual foram recepcionadas pelo estado brasileiro com a chamada lei da terra de 1850, criada para distribuir glebas de terra aos imigrantes.

A história dessa cidade também tem que ser cobrada pela ingratidão com a população negra, que os digam as famílias Araújo Leite, Azarias Leite, que aqui chegaram no final do século XIX, ocasião que encontrava-se presente o regime de escravidão. Foi aí que motivou a elite política da época a implantar o entroncamento ferroviário pela presença da força de trabalho dos negros.

As instalações de armazéns de escoamento da produção agrícola absorveu mão obra de filhos e netos de escravos, resultado da lei do ventre livre. Já no final da década 70 ainda era possível observar o quanto essa cidade era importante para o desenvolvimento regional.

Os pólos geradores de deslocamentos como a Vila Falcão, Bela vista, Vista alegre, Cardia, região de grande concentração operária, toda essa massa era movida com destino ao trabalho, motivada pelas empresas geradoras de mão de obra como Sambra, Matarazzozo, Cervejaria Antartica, ferrovias Noroeste, Paulista etc.

Nos dias atuais, o que se vê é uma infraestrutura totalmente abandonada por conta do bloqueio do desenvolvimento promovido pelos nababos de plantão da época, governantes irresponsáveis predadores de desenvolvimento e protegido pelo regime militar que tinha Bauru na mira da baioneta.

Toda estratégia foi articulada para destruir o sistema ferroviário e priorizar a matriz de transporte sobre pneu, causado pela revolução industrial iniciada na década de (50). Com esse desarranjo, Bauru teve que buscar outra vocação de desenvolvimento.

Essa busca produziu uma situação de vulnerabilidade social gerando questões sociais insustentáveis, pelos bolsões de misérias localizadas nas periferias urbana, resultado do fim do êxito rural gerado pela mecanização e automação no campo destruindo postos de trabalhos, onde o estado lavou suas mãos como pilatos, sequer preparou os trabalhadores para uma nova formatação do capitalismo chamado globalização que atingiu todos trabalhadores do campo e da cidade.

Essa estratégia produziu maior oferta de mão obra, causando impacto no crescimento do país durante décadas.

Esse quadro aqui colocado é visivelmente identificado quando percebemos a deterioração da nossa cidade, somado à presença de uma população de moradores de rua perambulando pela cidade fruto de um sistema excludente, conduzido durante muito tempo por aqueles defensores do estado mínimo os chamados tucanos.


Gercio Vidal Bento - bauruense - adotado por São Bernardo do Campo-SP

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