Washington - Em meio a críticas, queixas e insatisfação por todo o espectro político, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou ontem o pacote fiscal anunciado ontem pelo presidente Barack Obama para evitar um calote.
A Casa passou o pacote no início da noite por 269 votos a 161, sinal do descontentamento dos congressistas. O plano segue para o Senado hoje, a data-limite.
A principal falha do acordo costurado no fim de semana sob a pressão do relógio e da opinião pública é que ele é vago e pontual.
Evita um calote ao elevar o limite da dívida do governo - que bateria no teto amanhã, impedindo o Tesouro de tomar empréstimos para pagar todas as contas. Mas não freia o deficit nem parece resgatar a credibilidade dos EUA.
Tampouco reduz a tensão, com os partidos mantendo a troca de acusações e repetindo que "o plano não é ideal".
O pacote atraiu críticas de gente tão díspar como o premiê russo Vladimir Putin e o bilionário e ex-presidenciável conservador Donald Trump, passando pelas filas dos próprios partidos.
Mesmo quando levado a voto, detalhes se perdiam na retórica de republicanos e democratas, que tentavam explicar a suas bases que não abdicaram de seus princípios nem optaram por uma solução incompleta.
"O acordo pode ser o melhor possível, politicamente, mas mal vale ser chamado de acordo", escreve Sebastian Mallaby, diretor do Centro de Geoeconomia do Council on Foreign Affairs.
"Ele não trata dos desafios fiscais de longo prazo que o país enfrenta, nem acaba com a incerteza política que prejudica a economia."
Os deputados passaram o dia tentando definir os detalhes a favor de seu partido.
Sete Brasis
O plano sobe o teto da dívida em US$ 900 bilhões, para US$ 15,2 trilhões - sete vezes o PIB do Brasil. Disso, US$ 400 bilhões em empréstimos ficam livres já, e US$ 500 bilhões, até fevereiro.
Além disso, o pacote impõe US$ 917 bilhões em cortes ao longo de dez anos -Obama havia anunciado US$ 1 trilhão, bem aquém dos US$ 4 trilhões que agências que classificam risco querem.
Desse valor, US$ 350 bilhões recaem sobre a Defesa, algo que os republicanos tentaram evitar. O restante poda despesas do governo, mas poupa, a princípio, programas como o Medicare (de assistência a idosos e pessoas com limitações específicas de saúde) e a seguridade social.