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A felicidade e a norma

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Uns alegam ser a felicidade fruto de aquisições financeiras, outros preferem garantir que ser feliz é ter paz e esta carece de condições mínimas de estrutura social, moral e física. Um povo, que caminha pisando espinhos a sangrar os pés descalços, que não consegue alimento sequer uma vez ao dia; que ao adoecer necessita implorar remédios em filas vergonhosas, não pode ser feliz! Uma juventude que permanece uma década na escola e não aprende a ler e escrever, uma infância que sobrevive entre o lixo e a mendicância, a droga e a demência dela advinda, como pode saborear felicidade?

Não basta inserir novo artigo na Carta Magna, apregoando o direito à felicidade. Não basta em ano eleitoreiro prenunciar promessas que iguais a tantas outras jamais serão cumpridas. A criança para ser feliz necessita de família estruturada, moradia, endereço que asile seu lar, alimento, ensino de qualidade, professores capazes e respeito dos dirigentes da nação. Escolas sucateadas, merendas deterioradas, dinheiro de plástico, a grande trava que cega e emudece o povo brasileiro, oferecido para transformar cidadãos em meros reféns dos vendedores de ilusão, demônios travestidos de anjos, que sepultam o discernimento, burlam a realidade e fazem girar a cravelha que dá acesso à escuridão da ignorância, valioso portal dos oportunistas de plantão.

A verdadeira felicidade abrolha da serenidade e esta depende do exercício do direito de viver com dignidade. Como pode ter serenidade o pai desempregado, a criança abandonada, a mãe sem teto e sem ali-mento para oferecer aos filhos? Como pode ser feliz o idoso a implorar remédios nas portas das instituições públicas? E que esperança pode ter o trabalhador que acredita na Previdência Social para ter uma velhice digna e se depara com imorais alterações das regras no final da peleja?

Valorizar a felicidade é sagrar direitos do cidadão e deixar de atropelar goela abaixo a esmola social, é eliminar o descaso com a saúde pública e descartar salários medíocres. Repensar a felicidade significa fazer cumprir as leis e agir com retidão. Urge rápida mudança de postura dos dirigentes da nação e para tanto, nada melhor que revolucionária faxina nacional para expurgar a bandalheira, o desvio de verbas e a lavagem de dinheiro! A verdadeira felicidade estaria assegurada quando o hábito de ludibriar o povo banido fosse das entranhas da nação, o que independe de norma cogente. A mudança carece de audácia para a tomada de atitude, probidade, bravura e vontade política.

A autora, Valderez de Mello, é advogada, pedagoga e psicopedagoga e autora dos livros: "Lágrimas Brasileiras, Trama e Urdidura" e "A Velha Adormecida"

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