Santiago - Pela segunda vez em uma semana, Santiago voltou a ser palco de violentos confrontos entre estudantes, que protestam pela reforma do sistema educacional, e a polícia. A manifestação de ontem reuniu 100 mil pessoas, segundo seus organizadores (60 mil, de acordo com a polícia) e contou com o apoio de setores descontentes com o governo do centro-direitista Sebástian Piñera.
A violência começou às 14h30 (15h30 em Brasília), após o final da marcha, na praça Almagro, a sete quarteirões do Palácio La Moneda, sede do governo chileno. Nas primeiras horas de ontem, manifestantes já montavam barricadas em ruas adjacentes à praça.
A polícia prendeu jovens que montavam fortificações semelhantes em bairros da região metropolitana mesmo antes da manifestação.
A violência cresceu com a invasão de prédios abandonados, a depredação de lojas e um carro incendiado.
A polícia, que acompanhou a marcha com poucos homens, invadiu a praça primeiro com um caminhão (que foi cercado e destruído pelos jovens), depois com a cavalaria e gás lacrimogêneo. Distúrbios se alastraram por diversos pontos da capital. A alameda Bernardo O?Higgins, a principal avenida de Santiago, chegou a ser fechada na tarde de ontem.
Nesse local, os confrontos entre jovens e a polícia duraram mais de três horas e se concentraram nos arredores da sede da Universidade do Chile, ocupada pelos estudantes há meses. O edifício fica a 100 metros do La Moneda, cujo quarteirão foi interditado. Lojas foram depredadas e pedestres feridos.
Até esta noite, quando ainda ocorriam distúrbios, não havia um balanço do número total de feridos e de detidos. Diversas cidades no Interior do país também registraram ontem protestos pela reforma do sistema educacional.
O ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, pediu "reflexão" aos chilenos e afirmou que "os estudantes não têm o controle das marchas, como demonstraram os distúrbios nas ruas.