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Muitas histórias sobre a bandeja

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Em meio a copos e porções, é preciso equilibrar bom humor, simpatia, educação e muito jogo de cintura sobre uma pequena bandeja. Mais do que servir clientes e anotar pedidos, é essa a missão dos garçons, cujo dia é comemorado hoje. Entretanto, exatamente esse contato constante com diferentes pessoas é o que proporciona aos profissionais cada dia uma história diferente. Algumas, por sinal, bastante inusitadas.

É o caso de David Henrique Mendonça, 30 anos. O garçom, que começou a ajudar a mãe quando tinha cerca de 10 anos, conta que lidar com o público já lhe rendeu boas lições. “Um dia, tinha um cara que vinha aqui e só tomava o mesmo uísque. Então, ele chegou com a esposa e eu logo perguntei se ele iria querer o tal uísque. De repente, a esposa virou e disse: “Ué, você me disse que nunca tinha vindo aqui”, conta, aos risos.

Após a gafe, ele saiu de fininho da mesa e aprendeu a “só cumprimentar se for cumprimentado”. Todavia, além da lição e das gorjetas - que ele afirma virem de 90% dos clientes -, David ganhou muito mais com a profissão.

“Há 10 anos, veio uma mulher aqui em uma confraternização com as amigas. Eu a atendi normalmente. Hoje, estou casado com essa mulher e temos duas filhas, uma de 5 e outra de 10 anos. Só posso amar essa profissão, pois ela rendeu meu casamento”, conta.

E se esse contato com o público não traz uma esposa para a maioria, de acordo com Edilson de Andrade Amorim Júnior, cria diferentes especializações. “O garçom aprende a ser garçom, psicólogo, vendedor, amigo e tudo ao mesmo tempo. Eu mesmo já fui psicólogo diversas vezes. Por exemplo, o casal vem junto aqui. Meses depois, o homem vem sozinho e a mulher, no mesmo dia, com outro. Aí tenho que ser psicólogo”, brinca o garçom, que já tem 13 anos de profissão.

Para Wagner Ricardo Caetano esse contato com o público a melhor remuneração da profissão. Ele afirma que sempre existem os clientes “xaropes”, porém, 90% respeitam os profissionais.

 

 Em família


Os irmãos Flávio e Fábio Sanches têm mais do que o sobrenome em comum. Ambos são garçons. Com apenas 3 anos na profissão, Flávio não esconde que foi influenciado pelo irmão mais velho. E conta que já passou por situações inusitadas.

“Aqui vem muito gringo. Tem gente da Venezuela, do Equador e de outros países. Como eles falam muito rápido e embolado, às vezes é difícil de entender. Já trouxe os pedidos errados por conta disso”, conta.

O irmão mais velho já viveu situação pior. Depois de uma cliente pegar o prato de sua mão, o marido criou uma cena de ciúmes constrangedora. “Ele brigou um monte com ela.  Disse que tinha relado em mim. Pegou os dois filhos e foi embora. E o pior é que ela estava grávida”, relembra Fábio Sanches, garçom há 9 anos.

Entretanto, apesar disso, ele afirma que é possível estreitar os laços com a maioria dos clientes. “Como tem gente que vem sempre aqui, acabamos ficando amigos. Já houve até casais de namorados que nos convidaram para o casamento”, completa.

 

Respeito mútuo


E se o garçom precisa ter jogo de cintura para lidar com o público, o respeito mútuo também é necessário. É o que afirma o divulgador científico José Henriqte Cabello Di Flora, 43 anos. “É preciso respeitá-los. Nós já fizemos nossa jornada de trabalho e eles estão fazendo a deles.  Então, precisamos respeitar isso. Quando você faz isso, o garçom também te respeita e todo mundo acaba se sentindo em casa”, finaliza o cliente.

 

Gincana


No próximo dia 22, ocorrerá a Gincana de Garçons em Bauru. O evento, que volta a ser realizado na cidade depois de 4 anos, é realizado pelo Sindicato dos Empregados de Hotéis, Restaurantes e Similares de Bauru (Sechorbs), na Praça Rui Barbosa, a partir das 14h.

Além da divertida disputa entre os garçons e garçonetes, haverá sorteio de brindes para o público. Entre os participantes, vencem aqueles que fizerem o percurso em menor tempo e com menos pontos perdidos. As inscrições são para associados com carteirinha e já podem ser feitas na sede do sindicato, na rua Batista de Carvalho, 11-31.

 

Profissão assumiu perfil jovem, afirma sindicato


Segundo o Sindicato dos Empregados de Hotéis, Restaurantes e Similares de Bauru (Sechorbs), a maioria dos 1,8 mil garçons que existem atualmente na cidade são jovens.

De acordo com o presidente do sindicato e diretor da Federação dos Empregados em Hotéis e Restaurantes do Estado de São Paulo, Francisco Pereira de Andrade, existe uma preocupação em relação à falta de investimentos no setor.

“Há cursos aqui no sindicato que ensinam como um garçom deve se portar. Porém, as empresas não optam por esses cursos. Para economizar, elas próprias preferem dar um treinamento básico. Isso resulta no mau atendimento que vemos em muitos locais”, afirma.

Segundo ele, o piso salarial da categoria é de R$ 645,00, entretanto, com as gorjetas, o profissinal consegue uma renda média de aproximadamente R$ 1.500,00.

Francisco de Andrade, que foi garçom durante 32 anos, dá as dicas para a pessoa se dar bem na profissão: “a receita é simples. O profissional precisa zelar pela aparência, estar com a roupa bem arrumada e ser educado. Isso faz sempre um bom garçom”.

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