Turismo

Turismo acessível


| Tempo de leitura: 4 min

Aos poucos os destinos turísticos brasileiros passam a ser oferecidos também para os portadores de necessidades especiais.

Brotas e Socorro, no Interior Paulista, Maceió, em Alagoas, Muro Alto (Porto de Galinhas, Pernambuco) Balneário Camboriu e os Lençóis Maranhenses, no Maranhão, são alguns destinos a levantar a bandeira para receber com diferenciais um novo público ansioso por descobrir as belezas do "continente".

O projeto Jangada Acessível de Maceió é um exemplo para outras cidades praianas. No Rio de Janeiro os portadores de necessidades especiais também contam com meios de locomoção que possibilitam a subida ao Cristo Redentor e a outros cartões postais da Cidade Maravilhosa. Mesmo assim numa comparação entre o Brasil e os Estados Unidos e a Europa o resultado mostra que por aqui a preocupação ainda é incipiente.

Um quadro que poderá em breve melhorar graças as ações que vêm sendo promovidas pela Embratur, Sebrae e secretarias de Turismo de vários Estados.

____________________

Maceió conta com três jangadas acessíveis


A primeira jangada acessível do Brasil partiu para o mar da Pajuçara no dia 3 de fevereiro de 2010, às 11 horas, rumo às piscinas naturais. A bordo da embarcação, os alagoanos Luiz Cavalcante e José Batista, cadeirantes que, pela primeira vez, tiveram a oportunidade de conhecer o maior cartão-postal da capital alagoana, com segurança e conforto. Atualmente Maceió conta com três jangadas acessíveis.

"Estou emocionado em conhecer as piscinas naturais, e mais ainda porque os portadores de necessidades especiais agora contam com uma jangada adaptada para acesso ao lazer", explicou Batista.

O projeto da Jangada Acessível, desenvolvido pelo arquiteto Jorge Luiz, foi idealizado de acordo com os conceitos da Ergonomia, que disponibiliza ferramentas metodológicas para o desenvolvimento do projeto, e também conta com apoio logístico da Secretaria Municipal de Promoção do Turismo (Semptur), da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) e da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal).

O sucesso do projeto que criou oportunidade de lazer para todos também conquistou a parceria da Braskem, Hotel Radisson e Caixa Econômica Federal. Com este apoio, Maceió conta com três jangadas para levar alagoanos e turistas brasileiros e estrangeiros até o cartão-postal.

A turista carioca Luiza Cantuário, que fazia o passeio às piscinas pela terceira vez com seus filhos, considerou o projeto da jangada fantástico. "Quando chegar ao Rio de Janeiro vou mostrar fotos da jangada acessível de Maceió na escola. Seria ótimo que na minha cidade também tivesse uma jangada assim para democratizar o lazer", disse Luíza.

Foi o pescador e carpinteiro Sidney Cícero da Silva, conhecido como Dinho, que construiu a jangada, e ele levou a família para conferir o resultado. "Antes, muitos deficientes tinham medo de fazer o passeio. Em alguns casos era preciso amarrar a cadeira no barco. Agora eles fazem o passeio na sua própria cadeira, com segurança", diz ele.

Para a secretária Cláudia Pessôa, da Semptur, a jangada acessível é uma conquista para os portadores de necessidades especiais. "Estão de parabéns todos os que contribuíram com esse projeto, pelo sucesso da jangada acessível, que foi notícia até em sites nos EUA", disse ela.

A jangada acessível tem 1,90 de comprimento e 2,50 de largura e pode comportar até dois deficientes físicos com a cadeira de rodas, com acompanhante. Na construção da jangada foram utilizadas as madeiras de pequi, jaqueira, maçaranduba e igapó.

____________________

EUA para todos


Até destinos supostamente imprevisíveis são acessíveis


Promover acesso universal ao turismo, além de obrigação legal, não tem nada a ver com bondade. Os Estados Unidos, considerados pelo consultor Edison Passafaro o país mais acessível, tem uma visão econômica bem clara do assunto. "Os americanos não são bonzinhos, mas perceberam que o meu dinheiro é igual ao de qualquer outro turista. A questão é econômica", diz.

Canadá e Austrália de cadeira de rodas

Passafaro esteve naquele país pela primeira vez em 1986, já com a cadeira de rodas. Ficou impressionado com a estrutura urbana adequada na época. E que está ainda melhor hoje, diz. Em cidades como Nova York, São Francisco, Miami e Orlando (parques incluídos), ruas, restaurantes, museus, atrações e o comércio são acessíveis a todo tipo de turista.

Até destinos supostamente imprevisíveis como a lendária Rota 66 o consultor pôde percorrer, sozinho, de carro alugado. "Sempre encontrava um hotel com estrutura para me receber", lembra. "Ou, no mínimo, pessoal bem treinado para ajudar."

Ainda na América do Norte, Toronto e Vancouver são outras cidades onde o turista com deficiência pode se virar muito bem. E Sidney, na Austrália, é um primor: ônibus, barcos e até praias facilitam a vida de quem tem mobilidade reduzida.

Com disposição, dá para ir até a destinos exóticos. Passafaro esteve no Nepal com outros oito turistas com deficiência. Fizeram rafting, visitaram parques nacionais e voaram de balão, entre outras atividades. Claro que a viagem precisa ser bem organizada e incluir guias especializados. Mas importante mesmo é a vontade de explorar o mundo.

Comentários

Comentários