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PM reconhece falhas na ação contra sequestro

Folhapress
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Rio - Os passageiros de um ônibus que foi sequestrado por bandidos na região central do Rio na noite de anteontem afirmaram que não foram disparados tiros dentro do veículo. O ônibus tinha cerca de 20 passageiros quando foi invadido, por volta das 19h30, por um grupo armado. A polícia cercou o veículo e houve tiroteio. Cinco pessoas ficaram feridas.

O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mário Sérgio Duarte, admitiu que os policiais tiveram ações "fora do protocolo" durante o cerco ao ônibus sequestrado no centro da Capital fluminense na noite de anteontem.

Duarte ressalvou, porém, que "essas ações levaram ao resgate de 11 passageiros e à prisão de três assaltantes envolvidos no sequestro". "A rigor tiros não deviam ter acontecido, mas, paradoxalmente, foi o que parou o ônibus guiado por uma pessoa que nem sabíamos se tinha habilitação", disse o comandante em relação aos disparos feitos para furar os pneus do veículo depois dele ter furado o cerco montado pelos PMs.

Laudo preliminar realizado pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) aponta que o veículo foi atingido por pelo menos 14 disparos de arma de fogo vindos de fora do coletivo. O resultado do laudo foi divulgado pela Polícia Civil do Rio na tarde de ontem.

"Lamentamos profundamente os feridos", disse o comandante em relação as seis pessoas que se feriram no incidente, entre elas três passageiros baleados, outro agredido com coronhadas, um motorista de uma picape baleado de raspão no pescoço por um assaltante que fugiu do local e um outro PM.

O policial ferido não estava participando da ação e apenas esperava o ônibus que o levaria de volta para casa.

O comandante da PM admitiu também que não houve disparos dos assaltantes do interior do veículo para fora, como mostra a ausência de vidros e janelas quebradas no ônibus. Ele diz, porém, que ainda precisa esperar a perícia para determinar quem baleou Liza Mônica Pereira, 46 anos, ferida em estado grave no hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.

Duarte afirmou ainda que, segundo informações do cirurgião que operou Lisa, a bala entrou de cima para baixo. Cinco pistolas dos PMs que participaram da ação já foram entregues para a Polícia Civil para serem periciadas.

Outro "paradoxo" apontado pelo coronel foi a decisão de dois soldados do 4.º BPM, impedidos de usar o próprio veículo, usarem um carro abandonado de um civil para perseguir um ladrão que conseguiu escapar do cerco e estava no veículo de um casal tomado como refém.

Segundo Duarte, o emprego de um carro que não era da PM também estava fora do protocolo da força. Ele ressalvou que a decisão dos soldados permitiu o resgate em segurança do casal na favela de Manguinhos, para onde as vítimas haviam sido levadas e abandonadas.

O ladrão, Jean Júnior da Costa Oliveira, acabou preso horas mais tarde, no hospital São Lucas, em Copacabana. Os outros assaltantes, Bruno da Silva Lima e Renato da Costa Júnior, se entregaram após uma curta negociação com agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Com os dois, foram encontradas três pistolas e uma granada.

Na tarde de ontem, a delegada Gisele Rosemberg, da 6.ª DP (Delegacia de Polícia) - Cidade Nova -, divulgou a identidade do quarto suspeito de participar do sequestro: Clerivan da Silva Mesquita, 19 anos.

Segundo a polícia, o suspeito é morador da favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, e não possui antecedentes criminais. O rapaz negou participação no crime, mas foi reconhecido por foto pelo casal que teve o carro roubado por ele durante a fuga.

Os suspeitos detidos irão responder por roubo, formação de quadrilha e receptação de arma roubada.

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