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Região compra mil celulares por dia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Cada vez mais versátil e multifuncional, o aparelho celular não para de crescer em importância e abrangência na região de Bauru. No primeiro semestre deste ano, os consumidores adquiriram 1 mil novas linhas móveis por dia na área com código 14, de acordo com dados da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel). No últimos 12 meses, o número de aparelhos cresceu 19,2% na região, índice superior ao registrado no Estado de São Paulo e no Brasil.

No final do ano passado, a área 14 – que abrange as regiões de Avaré, Bauru, Botucatu, Jaú, Lins e Marília - alcançou a média de um celular para cada habitante e o esperado era que o ritmo de vendas diminuísse em 2011. Mas as sequência de novidades tecnológicas agregadas ao equipamento, associada ao aumento da renda da população e às promoções oferecidas pelas operadoras mantiveram os patamares ainda mais elevados.

Em junho de 2010, a taxa de crescimento havia sido de 17,5%. Hoje, são 2,609 milhões de aparelhos distribuídos em um território ocupado por 2,343 milhões de habitantes. Para o economista Fernando Pinho, uma das explicações para o fenômeno está na ascensão de classes verificada com ênfase no último ano.

“Muitas famílias das classes C, D e E tiveram aumento na renda e conseguiram melhorar seu nível de vida muito rapidamente. Pela escassez de mão de obra, profissionais (como empregadas domésticas e trabalhadores da construção civil) passaram a ganhar muito mais de um ano para outro. Com isso, os que não tinham acesso a este tipo de serviço puderam comprar o telefone móvel pela primeira vez”, comenta.

E quem já tinha celular pode adquirir uma segunda ou terceira linha, já que ser dono de vários aparelhos deixou de ser apenas uma questão de status para se tornar uma estratégia de economia. Tendência que também cresce a cada ano, o consumidor tem optado por possuir linhas de várias operadoras diferentes para melhor aproveitar as promoções oferecidas por cada uma delas.

“Estas promoções, com foco principalmente nos celulares pré-pagos, deixam o custo de manutenção da linha muito barato. O consumidor abastece com R$ 50,00 e fala o mês inteiro pelos bônus que recebe para falar com celulares da mesma operadora”, comenta o economista Kléber Luiz Nardoto Milanezi.

 

 Trabalho


De olho nestas ofertas, a corretora de imóveis Jéssika Emillyn Lima, 26 anos, comprou um celular que comporta três chips ao mesmo tempo. Este tipo de modelo foi lançado há cerca de um ano e também é apontado pelos especialistas como uma revolução tecnológica que proporcionou a continuidade do crescimento de linhas. A vantagem é que o usuário não precisa mais ter o desconforto de carregar vários aparelhos no bolso ou na bolsa.

“Além de poder falar mais barato ou mesmo de graça, dependendo da promoção, tenho estas três opções de número para que os clientes não tenham desculpa para não me ligar. Gasto R$ 45,00 por mês. Se não tivesse os três chips, acho que a conta passaria de R$ 100,00, porque eu falo no telefone o dia inteiro”, descreve Jéssika.

Os economistas são unânimes em afirmar que o celular, embora esteja cada vez mais aprimorado como instrumento de entretenimento, se tornou uma importante ferramenta de trabalho, principalmente para quem viaja muito ou não tem ponto fixo de trabalho, como taxistas, por exemplo. “Enquanto o número de telefones móveis cresce, o de terminais fixos diminui”, aponta Milanezi.

Segundo Pinho, também por conta do trabalho, o número de celulares pré-pagos vem diminuindo nos últimos anos. Embora ainda seja responsável por 77,65% das opções de consumo no Estado de São Paulo, este índice era maior ainda há cinco anos (82,15%) ou mesmo no ano passado (79,60%).

“Mesmo sendo uma forma mais cara de usar o celular, a opção pelo pré-pago é uma medida de prudência, um auto-policiamento que as pessoas sem disciplina financeira se impõem para ter controle sobre suas contas. A pequena redução no número de usuários deste tipo de plano é reflexo do aumento da renda e também porque o celular é muito útil no trabalho. Se o sujeito fica sem crédito numa transação comercial, pode perder o negócio até fazer a recarga”, analisa.

 

Perfil regional


Chamado de teledensidade, o índice de telefones ativos em cada grupo de 100 moradores, que na área 14 era de 94,12 terminais em junho de 2010, chegou ao patamar de 111,33 no mesmo mês de 2011. Além da popularização do aparelho, dois fatores contribuem para o elevado índice. Uma delas refere-se ao fato de a região ser altamente urbana e povoada, com municípios de economia bem desenvolvida como Bauru, Marília, Lins, Jaú, Botucatu e Avaré.

Prova disso é que até mesmo regiões que abrangem capitais de Estado, como Aracaju (SE), Natal (RN), Maceió (AL) e Rio Branco (AC), Palmas (TO), Teresina (PI), João Pessoa (PB), São Luís (MA) não atingem a teledensidade alcançada na área 14. Outro motivo é o perfil econômico da cidade e dos municípios vizinhos, reconhecidamente voltados para o setor de prestação de serviços, que demandam com freqüência o uso de celulares como instrumento de trabalho.

 

 Convergência tecnológica


Um dos mais revolucionários objetos contemporâneos de consumo, o telefone móvel facilitou a comunicação entre as pessoas, criou novos códigos de comportamento, reduziu os limites da privacidade dos indivíduos e modificou, de maneira inédita, a forma de o ser humano relacionar-se à distância com seus pares.

Ao longo de seus 21 anos de existência no Brasil, os celulares se transformaram em verdadeiras estações de comunicação, trabalho e entretenimento portátil, com câmara fotográfica, MP3 player, localização via satélite, rádio, jogos e Internet. Graças à convergência tecnológica que deu margem ao surgimento de uma nova geração de aparelhos, como os smartphones e, agora, também os tablets, é possível levar o trabalho para a praia, monitorar o namorado ou os filhos na escola, marcar uma reunião de negócios ou um encontro com os amigos mesmo estando no meio do trânsito.

Além de agilizar a solução de pequenas pendências do cotidiano, ter um celular também confere status e aprovação social. “Além das inovações tecnológicas que não param de surgir, o apelo de marketing das operadoras também é muito grande, o que estimula os consumidores”, destaca o economista Fernando Pinho.

 

Ritmo de compras deve desacelerar no País


Para o economista Fernando Pinho, a crise que assombra os Estados Unidos e países europeus - e que ameaça atingir todo o mundo - certamente representará uma desaceleração no ritmo de crescimento da telefonia móvel em Bauru e todo o País. Atualmente, o Brasil conta com 217,3 milhões de celulares, com incremento de 17% de linhas nos últimos 12 meses. Já o Estado de São Paulo possui mais de 53 milhões de números, totalizados com o aumento de 14% no total de terminais no último ano.

“Estes números não devem se repetir devido a este freio na economia. Como o Brasil exporta muitos produtos para países que poderão cortar compras nos próximos meses, alguns segmentos de mercado terão de redimensionar sua capacidade produtiva, o que poderá gerar desemprego”, detalha. Se esta situação se confirmar com a conseqüente redução no poder de compra da população, Pinho adianta que itens considerados supérfluos - como linhas adicionais de celulares - serão os primeiros a serem cortados dos gastos das famílias.

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