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Repaginar o lar é mais forte após os 30

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

A pesquisa empreendida pelo Instituto Data Popular aponta que o sentimento de conforto e aconchego em casa aumenta de acordo com a idade. Ou seja, quanto maior a faixa etária, maior a preocupação em repaginar o imóvel. E essa prioridade aflora a partir dos 30 anos.

Segundo o estudo, 83% dos brasileiros com idade entre 35 e 44 anos pretendem investir o dinheiro em melhorias em meio às próprias paredes.

Em comparação com jovens entre 15 e 24 anos, o índice cai em 18%. "Antes dos 30, é comum o espírito mais aventureiro, com menor preocupação com o ninho, com o lar", observa a psicóloga junguiana Maria José Barbosa.

De acordo com ela, a partir da casa dos 30, as pessoas tendem, naturalmente, a se preocupar mais com o conforto, numa espécie de aquietamento mesmo. "Passada a época da busca por aventuras, começa a necessidade de segurança. É nessa fase em que se inicia a procura por um lugar em que o indivíduo chama de seu", analisa.

"Com a maturidade vem a exigência por ter um canto, um lar", acrescenta. "E isso também implica em melhorá-lo, tornar a casa mais aconchegante, com uma infraestrutura maior, tanto para ter um descanso após o serviço quanto receber os amigos", observa ela.


Demanda cresce e mão de obra encarece

A bolha imobiliária observada no atual momento no País, seja na aquisição de imóveis concluídos, na planta e também pelos investimentos em melhorias nas edificações, pontua o economista Kleber Luiz Nardoto Milanezze, é fruto tanto da estabilidade da moeda quanto pela expansão nos rendimentos da população e com a renda incrementada por incentivos governamentais.

Tudo isso, acentua o especialista, ganha mais fôlego junto às linhas de crédito, por parte de instituições financeiras ou pelo próprio comércio, para financiar as obras.

Na Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, há uma linha de financiamento com compras efetuadas por meio de cartão magnético de débito em lojas conveniadas. Os prazos, conforme a assessoria de imprensa do banco, se estendem em até 60 meses, com limite mínimo de R$ 1 mil, variando de acordo com a capacidade de pagamento do tomador.

Ainda de acordo com a Instituição Financeira, mais de um milhão de famílias já optaram pelas linhas de crédito da CEF, seja para construir ou reformar. Apenas em 2010, 360 mil contratos haviam sido firmados, movimentando a cifra aproximada de R$ 4,7 bilhões, com uma taxa de crescimento de 65%, em comparação com o ano passado.

Outras formas de financiamento, na mesma instituição, são as cartas de crédito, seja no formato SBPE (com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) ou subsidiadas pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS.

No entanto, salienta o especialista, professor nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e Universidade Sagrado Coração (USC), a alta demanda gerou a chamada "guerra de mercado" pelos profissionais do setor, e, consequentemente, aumentou o preço da mão de obra. "O gargalo não está no material de construção. Virou uma guerra de mercado", conceitua.

Estável em julho, o Custo Unitário Básico (CUB) ? índice de referência sobre a variação dos custos no setor, calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) ? apresentou um leve acréscimo de 0,06%, em comparação com o mês anterior.


Material sem imposto é incentivo

Reformar a casa era uma das tarefas constantes da enorme lista de final de ano. Ao menos é o que garante o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário em Bauru, Aloísio Costa. No entanto, o cenário mudou. Com todos os incentivos que o setor recebe, as melhorias no imóvel acontecem, com constância semelhante, durante todos os meses.

Um dos fatores que impulsiona o índice de marteladas e pinceladas pela casa durante todo o ano é a ausência de tributação sobre alguns itens de material de construção. "O pessoal está reformando bastante, com muita ampliação. Agora a situação econômica está muito favorável. Além disso, tem a própria ?cesta básica? do material de construção", enumera.

O representante da categoria refere-se à redução nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A medida, que expiraria no ano passado, foi prorrogada pelo Governo Federal até o final deste ano e abrange 45 itens, beneficiando tanto quem vai reformar quanto construir a casa própria.

Desta forma, a expectativa de crescimento de vendas no setor, de acordo com estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) está em torno de 15%.

Para Aloísio, os construtores, tanto pedreiros quanto auxiliares, aproveitam um bom momento que contrasta com outros tempos. "Assistimos por muito tempo as outras categorias conseguirem ganhos acima da inflação. Demorou para acontecer", observa.

Segundo ele, as solicitações de reforma extrapolaram a simples necessidade e algumas pessoas, mesmo sem pertencer às classes de maior poder aquisitivo, também se preocupa em adequar espaços na casa para áreas de lazer. "Essa tem sido uma das prioridades. O pessoal quer uma varanda maior, aumentar a garagem. Tem muita gente inclusive da classe C com piscina em casa", observa.

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