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Comer bem se aprende na escola

Miriam Bollini
| Tempo de leitura: 4 min


Coisa mais difícil é fazer criança (e até mesmo adultos) abrir mão de comer um lanche, daqueles bem suculentos, em troca de uma refeição saudável, com direito a salada, legumes, arroz, feijão e carne. Tudo bem se isso acontecer uma vez ou outra, mas o problema é quando essa troca ocorre todos os dias.

Na escola FourC, em Bauru, um programa de educação alimentar começou a fazer a diferença na atitude alimentar dos alunos, que, antes de tudo, estão aprendendo na sala de aula como é importante ingerir alimentos saudáveis.

Silvana Andrade e Andrea Chacon, nutricionistas responsáveis pelo programa na escola, explicam que este é um projeto trabalhado com todos os alunos ao longo do ano, do Ensino Infantil ao Fundamental. "A proposta é ensinar aos alunos o valor de comer bem. Para isso, temos aulas práticas e atividades lúdicas com um material educativo onde as crianças podem compor um prato saudável" enfatiza Silvana.

Também por meio de uma parceria com o Nutriamigos, personagens de um programa de educação nutricional, os estudantes participam de atividades educativas sobre o valor dos alimentos.

Para Silvana, antes de qualquer mudança de hábito, a reeducação alimentar começa com a conscientização e informação. "Não adianta colocar a comida no prato e pedir para a criança comer. Primeiro é preciso ensinar, para depois experimentar e colocar no cardápio", frisa.

Já Andrea enfatiza: "o nosso trabalho é conversar. Nós sempre estamos explicando o porquê das coisas, afinal, eles estão aqui para aprender".

Mas não são apenas legumes e verduras que fazem parte do cardápio da escola. Como os alunos almoçam lá, as nutricionistas ressaltam que não deixam de fazer o que as crianças gostam. Tem batata frita, bife à milanesa e outras delícias, mas tudo feito no forno. "O modo de preparo da comida pode torná-la muito mais saudável e é isso que aplicamos por aqui também", ressalta a nutricionista Andrea.

De olho na balança

Depois da teoria em sala e das aulas práticas, chega a hora de comer. No refeitório da escola, cada alimento a ser servido tem uma porção ideal indicada. Na cantina, nada de salgado grande, apenas salgadinhos de festa, daqueles pequeninhos, para a criança não comer mais do que o necessário.

E, se um aluno começar a abusar do sorvete que ali é vendido, as nutricionistas entram em contato com a mãe, para, juntas, encontrarem uma estratégia de diversificação, afinal, a participação dos pais é essencial neste tipo de trabalho.

Segundo Andrea, não adianta impor. "O trabalho que a gente faz é de formiguinha, incentivando e educando. Ensinamos a experimentar pelo menos dez vezes o mesmo alimento para desenvolver o sabor", comenta.

Isso porque, segundo a nutricionista, o nosso paladar é educável. Um alimento que provamos pela primeira vez e não gostamos pode se tornar agradável ao longo do tempo. Por isso, a importância de insistir e experimentar várias vezes.


Lição de casa

E o aprendizado não fica apenas na sala de aula. A aluna Mayara Santos, 10 anos, já está dando exemplo em casa. "Eu falo o que eu aprendo. Peço para a minha mãe fazer mais salada e se ela coloca muito óleo na comida, eu falo também!", comenta a pequena.

O pai de Mayara, o coordenador de sistemas Paulo Santos, concorda que a filha interfere na alimentação de casa. "Ela quer colocar em prática o que aprendeu na escola. Outro dia, ela chegou e disse para mãe que precisava diminuir as frituras e comer mais grelhados. E a gente apoia, se não, não tem sentido o que ela aprende lá", enfatiza.

A lição parece mesmo estar na ponta da língua. Quando perguntada sobre o que aprendeu na sala de aula, a menina não precisa de muito tempo para responder: "a gente tem que comer mais carboidratos, proteínas e vitaminas e bem menos gorduras", explica.

Nada de desperdício

Além da educação por alimentos mais saudáveis, existe na FourC um programa de redução de comida jogada fora. Todos os dias, o lixo dos alimentos descartados é pesado e a meta é não ultrapassar 6%. Se a média dá certo, as nutricionistas vão em todas as salas, parabenizando os alunos para reforçar a mensagem.

Até a lixeira é uma ferramenta importante: quando tem um desenho nela sorrindo, quer dizer que a porcentagem está correta. Se a lixeira está gordinha, quer dizer que o desperdício está muito grande.

Mas Andrea já entrega: "Macarrão, quibe e estrogonofe nunca sobram", brinca a nutricionista.


Café da manhã para aprender mais

Silvana Andrade explica que o café da manhã é a refeição mais importante do dia, lição que já foi bastante trabalhada com os alunos. "Eles precisam de muita energia logo cedo, pois aqui vão gastar muitas calorias, o pensar é uma atividade que demanda muito esforço. Nós incentivamos este hábito saudável", explica. Por isso, pão, leite, iogurte, suco, frutas, requeijão e margarina, mais do que liberados, são itens essenciais para este momento do dia.

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