Tribuna do Leitor

RODEIO E A INSENSIBILIDADE HUMANA


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Não bastasse o animal ser usado em tudo e para tudo pelos humanos, das mais variadas e cruéis formas, ainda serve para seu lazer e divertimento e, no caso em questão do rodeio, não se trata de uma diversão pacífica, boa e de aprimoramento cultural, ao contrário, é uma atividade estúpida, bruta, que maltrata os bichos que são treinados em fazendas particulares sem supervisão de ninguém, treinados por cowboys truculentos que só estão de olho nos prêmios, cavalos e bovinos que são constantemente transportados para todo lugar, que enfrentam no brete um som altíssimo todas as noites, o que lhes afeta a extrema sensibilidade auditiva, e que têm que pular pressionados pelas esporas e sedéns. As provas de laço são cruéis e estúpidas igualmente, as de tambor, rédeas, baliza e todas mais, os cavalos correm coagidos pelos açoites e os pequenos bezerros são derrubados aos trancos pelo pescoço, o que lhes causa pavor, dor e sérias lesões. Mas, como o nível cultural e de civilidade do brasileiro está cada vez pior, é de se esperar que as pessoas ignorem estes macabros detalhes. As que não ignoram e participam de alguma forma destas atividades são insensíveis ao sofrimento alheio.

A ganância humana não tem limites. Bauru não precisava desse retrocesso, mesmo porque o rodeio tem sido proibido por lei em muitas cidades (já foi proibido em Bauru) e eu parto deste princípio, se uma atividade precisa de liminares judiciais para funcionar, boa coisa não pode ser. A Expo Bauru é um sucesso de público, shows e movimentação de negócios milionários. E ainda quer mais, quer o rodeio também?

Como o JC é uma peça propagandística ostensiva e importante a favor da Expo Bauru, espero que publique esta minha carta, para que pelo menos um contraditório se faça ouvir.

Lúcia Helena B. Alves - professora de sociologia

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