Geral

Acidentes com motos ocupam 90% das chamadas do Resgate

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Características como preço acessível para a aquisição, economia de combustível e agilidade para se locomover e se “encaixar” nos pequenos espaços ainda livres no trânsito bauruense aumentaram o deslocamento sobre duas rodas em Bauru. Entretanto, em meio a todas essas vantagens, há um grande perigo. Segundo estimativas do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), juntos, os dois órgãos atendem diariamente na cidade cerca de 17 motociclistas envolvidos em acidentes. Porém, mesmo feridos, a maioria não procura atendimento médico posterior.

O Corpo de Bombeiros atende em média 15 ocorrências diárias, sendo que dessas, segundo o tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, 90% envolvem motociclistas. Seriam aproximadamente 13 ocorrências por dia. Já o Samu, cuja maior demanda está concentrada em casos clínicos, atende aproximadamente quatro casos diários de acidentes envolvendo motocicletas.

Desse modo, somente pelos números de atendimentos realizados pelos dois órgãos a cidade já teve, no mínimo, mais de 3,8 mil motociclistas envolvidos em alguma colisão ou queda no trânsito.

“Geralmente, os piores horários, que registram maior número de acidentes, são os de pico. Pela manhã, quando o pessoal vai para o trabalho e para a  escola; no almoço e no fim da tarde. Nesses horários têm acidentes todos os dias”, explica o tenente Cláudio da Silva.

Segundo ele, o número de ocorrências cresce a cada dia impulsionado pelo aumento do número de motos em Bauru. Em apenas 10 anos, a frota de duas rodas triplicou na cidade, passando de aproximadamente 15 mil em 2001 para os atuais 45,5 mil, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) atualizados até julho deste ano.

Com tamanha quantidade de motos, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, explica que os ferimentos em acidentes são os mais variados possíveis. Ele explica que “pode resultar desde uma lesão leve, como uma ‘raladinha’, até um politraumatismo, que pode trazer a vítima em coma para o hospital”.

 

 

Perfil


Entre esses motociclistas feridos, Sabbag já conseguiu traçar um perfil, no mínimo, curioso. Segundo ele, é bastante raro atender uma motorista mulher com lesões mais sérias.

“Os jovens do sexo masculino e pessoas que trabalham com as motos, como entregadores, geralmente se envolvem em acidentes mais graves. Isso demonstra, pelos nossos atendimentos, maior prudência e cautela nas mulheres motociclistas”, acredita Sabbag.

Exatamente em convergência a esse perfil de pessoas com maior probabilidade de se envolverem em acidentes está Vinícius Ferreira de Lima, de 21 anos. Apesar de dirigir há pouco tempo, ele já se envolveu em cinco acidentes.

“O último faz dez dias. Estava descendo o viaduto da Duque de Caxias quando uma mulher, que estava de carro na minha frente, ao ver um buraco brecou”, relata o jovem, que tem a motocicleta há apenas 2 anos e já coleciona amassados no veículo e machucados pelo corpo.

Com a colisão, Vinícius quebrou o vidro traseiro do carro com o capacete e caiu. Ele ficou com escoriações nos cotovelos, pernas e quase quebrou a clavícula. “Eu moro a 15 quilômetros de distância do meu trabalho. Então, preciso da moto. Mas sempre que saio, minha mãe fica com o coração na mão”, finaliza o jovem, ponderando as vantagens e desvantagens da motocicleta.

 

Maioria dos acidentados recusa atendimento médico


Se os órgãos de socorro atendem uma média de 17 motociclistas por dia envolvidos em acidentes, é somente uma minoria que procura atendimento médico posterior. Segundo estimativa do diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, cerca de seis desses acidentados fazem os exames necessários, ou seja, apenas 35%.

“A maioria não procura atendimento. E não é o certo a se fazer. A recomendação é sempre vir para o hospital. Aqui poderá ser examinado melhor para detectar qualquer problema que possa ter resultado do acidente”, explica.

Segundo ele, por conta dessa recusa de socorro, muitos somente procuram o local horas depois do acidente. “Se o problema ocorre de dia, vemos que muitos só vêm procurar atendimento durante a noite. Eles passam o dia inteiro com o ferimento e, quando começa a piorar, é que nos procuram”, conta Sabbag, apontando ainda que, em dias chuvosos, o número de acidentados que passam pela emergência chega a dobrar.

 

Como socorrer?


Ao ver um acidente de moto, o procedimento adequado é acionar o socorro e, conforme orienta o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, nunca mover a vítima.

“É preciso isolar o local para não ocorrer novos acidentes, mas nunca tentar levantar o acidentado. Quando o socorro chega, existe uma maneira correta de transportar e imobilizar a vítima para fazer os exames necessários. Uma lesão na coluna, por exemplo, pode se agravar ao levantar a pessoa”, explica.

Em casos de acidentes, o telefone do Samu é o 192 e o Corpo de Bombeiros atende pelo 193.

 

Estatística cresceu 65% em relação ao ano passado


De acordo com dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), os acidentes com motociclistas em Bauru cresceram 65% nos primeiros sete meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Em 2011 foram 768 ocorrências, sendo que, de janeiro a junho do ano anterior, foram 467 casos, envolvendo quedas e colisões de motocicletas com carros, pessoas, animais, caminhões e até mesmo outras motocicletas.

“É preciso redobrar os cuidados. Quando um carro bate, há grande possibilidade de o motorista ou os passageiros não se ferirem. Na moto, isso é diferente. Por isso, recomendamos a não andar de bermuda, camiseta e vestimentas leves. Isso faz com que se torne mais fácil se machucar em uma eventual queda”, completa o tenente do Corpo de Bombeiros Cláudio Augusto Antunes da Silva.

Comentários

Comentários