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Incêndio destrói área de 5 hectares

Por Mariana Cerigatto | Colaborou Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Um grande incêndio, com provável causa criminal, atingiu na tarde de ontem uma área de cinco hectares (equivalente a cinco campos de futebol) de pasto e plantação de canavial entre as penitenciárias 1 e 2 de Bauru. Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Cláudio Augusto Antunes da Silva, foi preciso mobilizar ao menos dez bombeiros para conter o fogo.

Mais de 10 mil litros de água e pelo menos seis horas de trabalho também foram necessárias para controlar as chamas, que atingiram até pontos da rede de energia elétrica. Até as 18h, homens do Corpo de Bombeiros ainda trabalhavam com abafadores no local para extinguir pequenos focos de incêndio.

As duas penitenciárias (P1 e P2), assim como outras 230 casas do bairro Gariroba, tiveram o abastecimento de energia interrompido, conforme informou a CPFL Paulista (leia mais abaixo). Por causa do incêndio, que teve início por volta das 11h e só foi controlado às 17h, uma grande nuvem de fumaça se alastrou no céu e oferecia riscos a quem trafegava pela vicinal que dá acesso aos presídios e corta a rodovia Marechal Rondon, na altura do quilômetro 358.

A Secretaria de Administrações Penitenciárias (SAP) emitiu nota à imprensa afirmando que foi preciso esperar o fogo ser controlado pelos bombeiros para restabelecer o funcionamento dos serviços. A previsão era de que o reparo na rede fosse concluído até as 22h, depois que as equipes de manutenção pudessem se aproximar da área afetada. "Incidentes de maior gravidade poderiam ocorrer em decorrência deste fato, mas com a ?saidinha? de Dia dos Pais nesta sexta, os riscos foram amenizados", acrescentou a SAP em sua nota.

Suspeito


Não houve vítimas, mas um suspeito foi detido, acusado de provocar o incêndio. Segundo os PMs José Donizete Crisóstimo e Ícaro Dias, da Base Leste, um homem de 63 anos foi visto saindo do canavial quando as chamas começaram a se alastrar.

"Estávamos averiguando um problema em uma tornozeleira de um detento de uma das penitenciárias e iríamos levá-lo para a unidade prisional", relataram os PMs. "Contudo, avistamos um sujeito em atitude suspeita saindo do meio do canavial e entrando em um carro. Achamos a situação estranha e resolvemos abordá-lo", contou a equipe.

O homem, que é agente penitenciário da P2, alegou que estaria no meio da plantação porque iria cortar e colher cana-de-açúcar. Ao ser encaminhado ao Plantão Policial, ele alegou não estar se sentindo bem e foi encaminhado para o Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi medicado e permaneceu até o final da tarde, segundo informação da unidade de saúde. Em seguida, foi levado ao Plantão Policial para prestar depoimentos.

Após ouvi-lo, o delegado plantonista Carlos Creppe liberou o homem por não ter encontrado indícios de que ele teria ateado fogo no canavial. Entretanto, um inquérito policial será instaurado para continuar as investigações sobre o caso, segundo Creppe.

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Doze postes de iluminação são queimados


De acordo com informações da assessoria de imprensa da CPFL Paulista em Bauru, cerca de 12 postes da rede elétrica da área queimada pelo incêndio de ontem foram atingidos e danificados, inclusive os que abastecem as Penitenciárias 1 e 2. Assim, as duas unidades, assim como 230 casas do entorno, ficaram durante toda a tarde e parte da noite sem energia elétrica.

Para Carlos Alberto Martins, coordenador do Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sinergia CUT), os danos na rede elétrica poderiam ter sido evitados se o serviço de manutenção e inspeção da distribuidora de energia fosse feito "de forma mais responsável". "Se tivessem tomado medidas de limpeza e inspeção nessa área, que se chama área de servidão, estas linhas expostas não teriam sido tão danificadas", criticou.

Martins também apontou que, por causa de um dano em um ponto da rede de energia atingido neste incêndio, a cidade de Presidente Alves (a 56 quilômetros de Bauru) teria ficado sem energia. "Presidente Alves depende da linha que passa pelo canavial (de Bauru) para receber energia", afirmou.

Indagada a respeito, a CPFL salientou que realiza todas as manutenções e inspeções necessárias da rede elétrica, inclusive na área atingida pelo incêndio. "O fogo atingiu proporções e uma grande altura, atingindo cruzetas da rede que se encontram a nove metros de altura, por exemplo", informou a companhia por meio de sua assessoria de imprensa.

A empresa ainda negou que a falta de energia elétrica em Presidente Alves tenha sido causada pelo fogo em Bauru. "Apenas a área rural dessa cidade ficou sem energia devido a um incêndio na mesma localidade", informou a companhia.

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Fogo em mato pode gerar multa de R$ 5 mil


Com a chegada do inverno e sua característica estiagem, não é preciso muito esforço para encontrar inúmeros focos de incêndio espalhados pelos bairros de Bauru. Do lixo queimado na sarjeta até os incêndios de grandes proporções em terrenos baldios e em áreas de vegetação nativa, o fogo em mato é um problema crônico da cidade.

O hábito comum, entretanto, é considerado crime e prevê aplicação de multa que pode chegar a R$ 50 mil, num caso extremo de um hectare de mata em estágio avançado ser prejudicado. Se em estágio pioneiro, que incluem os terrenos com mato, a autuação aplicada pela Polícia Ambiental é de R$ 5 mil por hectare danificado. Já a multa mínima cobrada pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) em caso de fogo em mato na área urbana é de R$ 500,00.

Mas até mesmo o simples fato de poluir o ar com fumaça pode gerar sanções por parte de Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). De acordo com o Código Penal, se moradores do entorno se sentirem afetados pela redução na qualidade do ar, poderão recorrer à Polícia Militar (PM) e representar contra dono do terreno ou contra quem incendiou a área.

Neste caso, o acusado responderá por contravenção penal cuja punição poderá ser convertida em prestação de serviços à comunidade, além de multa que terá de ser estipulada pela Cetesb. Mas, para a aplicação de multa, é necessário que um técnico do órgão tenha avaliado a qualidade do ar do local no momento em que o incêndio tiver ocorrido.


? Serviço


As denúncias podem ser feitas na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ou pelo telefone (14) 3235-1105. Na Polícia Ambiental, as reclamações são recebidas 24 horas por dia pelo (14) 3203-2700.

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71 dias de estiagem


Embora tenha chovido timidamente em julho e agosto, incluindo o final da noite de ontem, Bauru ficou 71 dias sem registro de nenhuma precipitação considerável. A última ocorrência foi em 9 de junho, quando choveu 23,6 milímetros, conforme informações do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru.

"Antes desta, teve uma chuva de 21 milímetros no dia 7 de junho. Depois, não houve nada significativo, que fosse capaz de encharcar o solo e melhorar consideravelmente a qualidade do ar na cidade", esclarece o meteorologista e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet) José Carlos Figueiredo.

Em todo mês de julho, o acumulado foi de 7,9 milímetros e, em agosto, de 5,8 milímetros, até ontem. O último registro captado pelo instituto foi de 0,3 milímetro no último dia 5. Por conta do período de estiagem, a umidade relativa do ar chegou a 19% nesta semana, índice considerado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ontem, com a aproximação de uma frente fria, o nível chegou a 33%, ainda inadequado para a saúde humana, mas já fora da faixa considerada de atenção.

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