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?Colapso é agora?, afirma especialista

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

A cidade não vai parar. Já parou. Segundo acreditam alguns especialistas, bem como os próprios usuários das vias urbanas da cidade, o fluxo, ou a tentativa dele, em alguns momentos do dia já atingiu patamares muito acima do que se pode ser taxado de ruim. "Já estamos em colapso", decreta o e instrutor de trânsito, Ilton Sant?Anna.

Professor de psicólogos peritos examinadores, o estudioso atribui à lentidão e falta de capacidade para atender a toda a demanda por parte do transporte coletivo. Segundo ele, numa relação custo x benefício, de fato é mais vantajoso tirar o carro da garagem.

"Em Bauru, num trajeto em que é possível fazer em 10 minutos com o carro, de ônibus acaba em duas horas, caso o passageiro tenha que tomar dois coletivos", ilustra Sant?Anna. "Se alguém toma dois ônibus e voltar do trabalho diariamente, gasta em média R$ 10,00. De carro, o mesmo trajeto sai em torno de R$ 2,50 de combustível", compara.

Os cálculos, além do conforto, incentivam, de acordo com ele, para que cada vez mais automóveis ocupem o apertado e disputado espaço das principais avenidas da cidade. "A frota brasileira dobra a cada quatro anos", aponta.

O instrutor, autor de "Cartilha Brasileira do Trânsito" (Editora Canal 6, 161 páginas, obra que traduz o Código de Trânsito Brasileiro), é um dos estudiosos na área que não descartam a possibilidade de adoção de um rodízio no interior, a exemplo do que ocorre na capital do Estado, desde 1997. Entretanto, os megacongestionamentos paulistanos comprovam que a medida está longe de ser a solução. "Por isso (rodízio), boa parte das pessoas mantém dois carros", relaciona.

Principalmente nos horários de pico - por volta das 8h e 17h -, sob a ótica do estudioso, Bauru apresenta traços de lentidão que não devem em nada na perda de tempo e estresse às principais cidades do País.

A solução, para ele, estaria sobre trilhos, a bordo do antigo desejo de revitalizar a malha ferroviária existente na própria cidade. Sant?Anna defende o reaproveitamento de trilhos e composições em inatividade numa espécie de "anel ferroviário" em torno de Bauru. "O material já existente poderia ainda ser aproveitado para um trem turístico", sugere.

Em meio aos problemas estruturais e no trilhar ao menos hipotético de soluções, contudo, existe outro entrave ao tráfego urbano, elenca o psicólogo. "O nosso trânsito seria muito melhor se houvesse respeito entre os condutores e à legislação", observa, citando frequentes abusos, testemunhados por ele mesmo, como motocicletas de entregadores, invadindo calçadas, ainda na contramão.

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Apesar dos problemas, usuários veem melhorias no sistema viário da cidade


Usuários tanto do sistema de transporte coletivo quanto individual, apesar de cientes dos problemas da malha em absorver a frota cada vez maior da cidade, enxergam melhoras no sistema viário da cidade.

O professor Geraldo Melado, de 25 anos, que utiliza automóvel, vê com bons olhos as melhorias recentes, principalmente na Duque de Caxias, que passou por recapeamento em alguns trechos.

No entanto, ele reclama da falta de sinalização nos bairros periféricos, bem como a ausência de um eixo de interligação entre as regiões mais distantes. "Uma via expressa, ligando os bairros, desafogaria o trânsito", considera.

O engarrafamento em diversos pontos no horário de pico, pelo gargalo formado na região central, não incomoda quem está apenas ao volante. Quem está sobre duas rodas, muitas vezes criticado, justa ou injustamente, de forma generalizada por barbeiragens, também diz sofrer com a lentidão do rush bauruense.

"Perto das 8 da manhã e 6 da tarde é muito ruim. Nós também temos reclamações, alguns condutores de carros mudam de faixa sem dar a seta ou não olham no retrovisor", reclama o motociclista Rodrigo Leandro Gomes Porto, de 33 anos, que considera a Duque de Caxias como o pior corredor de tráfego da cidade.

De "camarote", passageiros do sistema de transporte coletivo observam a "guerra" entre motoristas e motociclistas.


Transporte coletivo


Ouvidos nesta semana pelo JC, apesar de uma recente pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontando que 55% dos usuários brasileiros considera ruim, péssimo ou no máximo regular o sistema de transporte coletivo das cidades, eles dizem estar satisfeito com os ônibus urbanos em Bauru. Morador do Jardim Santa Luzia, o porteiro Cidinei José Picceli, de 50 anos, prefere deixar o carro na garagem para tomar dois ônibus na ida ao trabalho, na região central, e nova baldeação na volta para casa.

"Para mim, pelo menos, é excelente. Não tenho do que reclamar", aprova. "Tenho carro, mas vou e volto de ônibus. Não há problema algum. Prefiro o ônibus ao invés de encarar esse trânsito", opta.

Com setenta linhas, de acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a um custo, em dinheiro, de R$ 2,40 (tarifa convencional em dinheiro, sem descontos para planos diferenciados com cartões de integração, o sistema de transporte coletivo na cidade, apesar de agradar aos usuários, ainda não compete com o conforto do sonhado possante.

"Eu acho os ônibus bons aqui em Bauru", avalia a usuária Ângela Damas, moradora do Jardim Ferraz. "Mas, se eu tivesse carro, não andaria de ônibus", admite.

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PM vai intensificar blitze


Para coibir infrações que causam ainda mais problemas à saturação das principais artérias de tráfego da cidade, a Polícia Militar de Bauru, por meio do Pelotão de Trânsito, anuncia para esta semana uma operação especial de fiscalização tanto sobre condutores de automóveis quanto motocicletas.

Vistorias sobre o uso de capacetes, cintos de segurança ou irregularidades como caminhões em locais não permitidos ou condutores que dividem as atenções entre falar e segurar o volante serão intensificadas pela PM, que recentemente participou de uma reunião com lideranças do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), ocasião em que o evidente estado de saturação do trânsito na cidade foi colocado em pauta.

Para o tenente Adriano Aguiar, comandante interino do Pelotão de Trânsito da PM na cidade, as irregularidades caminham de mãos dadas com a falta de estrutura urbana para atender à atual frota da cidade.

Ele cita o viaduto inacabado (antiga obra no Centro da cidade, sobre a via férrea, entre o Jardim Bela Vista e Vila Falcão, paralisada desde o final dos anos 1990, atualmente em fase de licitação para reinício) além do viaduto Mauá, parcialmente interditado há quase três anos, como causadores de boa parte dos engarrafamentos na região central. "O fluxo de toda a cidade passa pela região (central) e esses dois (dispositivos) são responsáveis por boa parte do gargalo", observa.

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