Percebi que sou leigo ou no mínimo não ajo com racionalidade em certos assuntos. Diante da discussão sobre a economia brasileira e a politicagem vinculada a ela, um amigo tentou me convencer de que o Governo tem sido racional com os gastos públicos. Os exemplos estão aí estampados nos jornais: veto ao aumento real para os aposentados, análise pontual sobre a necessidade de contratação e abertura de concursos públicos, congelamento dos salários dos servidores públicos federais, reforma previdenciária com possível aumento no tempo de contribuição para aposentadoria, enfim uma série de medidas que foram adotadas ou que serão pelo Governo para colocar as contas em ordem. A crise econômica que atinge com maior violência os EUA e a Europa é um sinal amarelo para o Brasil. Não estamos perdidos, mas também não vamos relaxar. Poupar é preciso, porém para acalmar os mercados e a população como pretende o Governo nem sempre falar resolve, é preciso fazer e fazer com coerência.
Com essa explicação rebati a ideia de racionalidade do meu amigo. Se ser racional é cortar gastos em momentos de crise, o Governo não está sendo racional e eu jamais vou concordar com essa ideia. Argumentei que não entendo essa racionalidade do Governo e dos especialistas no assunto. O dinheiro falta à Previdência Social, mas sobra no Ministério do Turismo. Antes que me critiquem, sobra dinheiro sim! Se não sobrasse, não haveria emendas parlamentares milionárias destinadas para empresas de fachada. Dinheiro esse que acaba no bolso de políticos que já estão no topo da pirâmide social brasileira. A contenção de gastos é pregada, mas sempre vemos aumentos estratosféricos nos salários de deputados, ministros, vereadores, assessores, sem falar no dinheiro que vaza pelos ralos de Brasília. Quando se fala em aumentos para aposentados, professores, policiais, não! O momento é de cortes, discriminatórios, mas de cortes!
Que corte é esse que o governo faz? Tento ser racional, mas não consigo. Não posso concordar com a reforma na Previdência, com aumentos para servidores baseados apenas na reposição inflacionária, com menos dinheiro para programas sociais ao mesmo tempo em que vejo os gastos no Congresso apenas aumentarem, a corrupção se espalhar por todos os lados e a presença de emendas que não justificam tantos recursos. Me desculpem os economistas, mas a gastança é tanta que não consigo ser racional. O meu amigo disse que não ajo com a razão, se assim é me chamem de irracional.
Aelton Aquino ? jornalista