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Pesquisa prevê o valor de se ?desligar?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Como o Brasil estará em 2016? Como serão as relações comportamentais que guiarão o mercado? Foi exatamente para descrever esse futuro que uma palestra foi realizada ontem em Bauru. A projeção dos comportamentos da sociedade e como se guiar mediante a eles, entretanto, não foi definida em uma bola de cristal. Após ampla pesquisa, percebeu-se que a tendência é valorizar o ser humano à beira de dias em que, por determinados momentos, será preciso se "desligar".

Tanto a palestra quanto a pesquisa foram organizadas pelo Banco do Brasil (BB). Para chegar às projeções de como a sociedade viverá nos próximos anos, desde julho do ano passado foram entrevistados mais de 200 profissionais, variando desde atletas a dirigentes de instituições bancárias.

"Com base nisso, construímos uma série de hipóteses para 2016. Além dessas entrevistas, consideramos todo o contexto econômico global, os eventos esportivos próximos que serão sediados no Brasil e outros fatores que determinaram um cenário aproximado do que será o futuro", explica o gerente executivo da Diretoria de Estratégia e Organização do BB, Lourivaldo Paula de Lima Júnior.

Desse modo, ele explica que entender tal comportamento futuro e seguir algumas dessas tendências é determinante para aqueles que querem "se destacar e se diferenciar em meio à concorrência". Em diversos tópicos, a pesquisa mostrou que a tecnologia irá crescer, sendo que, com isso, a pessoa terá cada vez mais a necessidade de sentir seu lado humano.

Lima Júnior explica que a tendência é um grande paradoxo, uma vez que as pessoas ficarão cada vez mais conectadas e, ao mesmo tempo, isoladas. "Essa é uma das tendências mais fortes que visualizou para os próximos anos".

Com isso, surge a necessidade inevitável de a pessoa se "desligar" em determinados momentos e sentir seu lado humano ressaltado. Exatamente por isso, Lima Júnior explica que tanto o retrô quanto o manufaturado terão grande espaço.

"O retrô faz a pessoa ter aquela ideia de passado, aquela lembrança que desperta uma emoção. É uma espécie de segurança emocional", afirma o palestrante, complementando ainda que "o saber-fazer, ou seja, o manufaturado será o novo luxo. A simplicidade terá cada vez mais espaço como algo luxuoso".

Em convergência com essa tendência e aos eventos esportivos, ele afirma que cores fortes e nacionais serão bastante vistas nos próximos anos. "Além das cores, como existe esse paradoxo do isolamento, as pessoas terão necessidade do contato físico. Por isso, estímulos de sentidos, como os olfativos, serão cada vez mais valorizados pelas pessoas", explica Lima Júnior.


Coprodução


O gerente executivo Lourivaldo Paula de Lima Júnior aponta que, exatamente por estarem buscando essa valorização de si e do presente (hedonismo), as pessoas irão querer progressivamente participar das criações.

"Todos querem participar do processo. É nesse ponto que entram as tão comentadas redes sociais. É a Internet 3.0. Todos querem interagir e colaborar. Os produtos serão exatamente criados por todos", completa.

Seguindo essa ideia, ele finaliza apontando uma fotografia do famoso polvo Paul, que, na última Copa do Mundo, ficou famoso por acertar os vencedores de grande parte dos jogos. "Não é uma profecia. Eu não sou o polvo profeta. Com base em pesquisas, traçamos tendências de comportamentos que serão decisivas para guiar o mercado. Quem conseguir compreender essas tendências, pode se destacar", finaliza o gerente executivo da Diretoria de Estratégia e Organização do BB, Lourivaldo Paula de Lima Júnior.

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?Mulher-maravilha?


Até 2016, outra tendência importante obtida após a pesquisa realizada pelo Banco do Brasil foi em relação às mulheres. Em alusão à heroína da ficção, a "Mulher-maravilha", como foi denominada após a coleta de dados, deverá mudar a dinâmica de mercado.

"Nos próximos anos, a participação da mulher crescerá em todos os campos. As mulheres são muito mais racionais do que os homens. Porém, ao mesmo tempo, são menos objetivas. Essas características serão decisivas nas negociações. Com certeza, elas se tornarão mais complexas de demoradas", prevê o gerente executivo Lourivaldo Paula de Lima Júnior.

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?Eu engajado? não mudará a relação ambiental


Em relação à conscientização ambiental, a pesquisa se mostra de certa forma pessimista. Segundo o que apurou, a tendência é de que o ser humano se comporte como uma espécie de "adolescente" em meio a questão, uma vez que sabe os problemas, porém, de forma transgressora, pensa que ainda terá tempo para resolvê-los.

"Viveremos uma era do ?eu engajado?. As pessoas irão estar mais solidárias e participando de causas ambientais, porém, ainda existirá uma grande diferença entre teoria e prática", explica o gerente executivo da Diretoria de Estratégia e Organização do BB Lourivaldo Paula de Lima Júnior.

De acordo com ele, ainda não haverá uma mudança grande no comportamento em relação aos impactos ambientais. "A mesma pessoa que faz compras com uma sacola ambientalmente correta, ainda não irá ter a conscientização de verificar se a marca da peça de roupa que está usando foi feita por meio mão-de-obra escrava ou não", finaliza.

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