Santiago - O segundo dia de greve geral no Chile foi marcado, ontem, por saques e enfrentamentos com a polícia. O governo diz que 456 foram presos e 78 ficaram feridos desde anteontem. A organização das manifestações estima que 600 mil foram às ruas em todo o país, ontem.
Sebastián Piñera tem a menor popularidade de um presidente chileno desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990): 26%.
Jovens bloquearam estradas, atiraram pedras e puseram fogo em ônibus e pilhas de lixo em cruzamentos de Santiago e de outras cidades. A polícia, por sua vez, usou água e gás lacrimogêneo para dispersar as multidões.
A reivindicação original dos manifestantes é a reforma do sistema de educação.
O governo afirma que apenas 10% dos funcionários públicos se uniram à greve convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior união sindical do país. A organização fala em 80%.
O transporte público funcionava ontem, ainda que com restrições de horários, e a mineração de cobre não foi interrompida pela greve - a distribuição do lucro do setor é outra demanda no país.
Apesar de o Chile ter expectativa de crescer mais de 6% neste ano, o país tem tido seguidos protestos.
Segundo o governo, a greve custa US$ 200 milhões (R$ 320 milhões) por dia.
A artista plástica brasileira Carolina Dalgalarrondo, 31 anos, diz que não participou das manifestações - mas deixou de trabalhar ontem, para evitar o centro de Santiago. "Eu apoio a mobilização dos estudantes", diz. "Mas esta greve pode tirar a força do movimento, por misturar muitas reivindicações."